Mulher Maravilha de Brian Azzarello.

 

Falemos a verdade: até hoje a MM era vista apenas como uma versão do Superman com uma calcinha de estrelas atochada na bunda. Apesar de ser o ícone feminino nas Hqs, ela nunca, nunca foi levada a sério ou amplamente divulgada pela DC (mas se parar para pensar, até um tempinho atrás os únicos personagens que pareciam existir para os editores da DC e chefões da Warner eram Superman e Batman). Óbvio, qualquer um conhece a personagem, quase tanto quanto Batman e Superman, e em toda festa a fantasia tem uma mina (ou um cara gordo e peludo) vestida de MM, mas a única coisa que as pessoas devem conhecer da amazona é aquele seriado antigo em que ela se transformava dando voltinhas ou por conta da Liga da Justiça dos Trapalhões, a qual também contava com Homem Aranha, Thor e Homem Invisível (também tinha a Nega Maravailha, que nada mais era do que o Mussum vestido de MM).

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O fato de vestir uma calcinha cheia de estrelas, usar como arma um laço e ter um uniforme com umas quatro ou cinco cores diferentes não ajudava. Mas eis que a DC resolve dar um reboot no seu universo e, entre revistas escrotas como a do Superman e coisas fodas como Monstro do Pântano, Homem Animal, Disque H e Arqueiro Verde do Lemire, a dupla Azzarello (da foda  100 Balas) e Chiang consegue fazer a melhor revista de super heróis que eu já li na vida. Sem exagero, nem revistas como Superman Red Son, Batman TDKR, Hulk futuro imperfeito, Demolidor: a Queda de Murdock e A Piada Mortal conseguem ser tão boas na minha humilde opinião. Eu simplesmente não conseguia esperar até o próximo mês para ler a próxima edição. Eu nunca, nunca gostei muito de revistas de super heróis na verdade, a não ser histórias fechadas, com uma ou no máximo umas 6 edições, as quais, geralmente, se passam em universos paralelos. Mas essa MM conseguiu me segurar por 35 longos meses. Todavia, infelizmente, tudo o que é bom tem um fim e os dois caras abandonaram o barco e a nova dupla que assumiu já começou cagando na personagem. Todavia, entretanto, contudo, penso que foi bom. Eles tinham uma história na cabeça e conseguiram contá-la. Agora é esperar a Panini lançar em encadernados fechados.

Para começar, a personagem finalmente ganhou um uniforme bonito. Eu prefiro a versão de calças compridas, mas o que seriam dos pobres nerds bronheiros sem uma calcinha atochada na retaguarda


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Segundo: finalmente descobriram que a personagem tem um background próprio, ligado à religião do mundo Helênico. Não precisa se escorar em Batman e Superman, não precisa tirar a sua força de outros personagens. Ela é a representante do feminismo nos quadrinhos tradicionais e deve se sustentar por si mesma. No mundo DC antes do reboot ela

passou de justiceira urbana à estilista porque geral simplesmente não sabia o que fazer com a personagem. Mas está aí: era só colocá-la em seu próprio mundo. Azzarello não apenas ligou-a a suas origens gregas, mas cercou-a de personagens muito bem trabalhados. Deu personalidades muito boas aos deuses e semi deuses.Antes, o único deus helênico que tinha algum destaque na DC era o Ares – tendo inclusive versões no desenho da Liga da Justiça e no jogo Injustice. Agora, além de Ares, que tem uma personalidade muito mais interessante do que o Ares antes do reboot, praticamente todos os outros deuses principais do panteão grego recebem um tratamento digno. O vilão inclusive é o deus Apolo, o qual quer tomar o poder no Olimpo aproveitando que Zeus escafedeu-se como o próprio Deus cristão em Preacher. É claro que há adaptações e as pesonalidades dos deuses não são como na Ilíada ou na Odisséia e o próprio monte Olimpo num momento se torna um prédio de luxo no meio de uma cidade grande (eu achei genial), mas isso é o de menos.

A história começa com o sumiço de Zeus, que cansou daquela porra toda porque já estava velho e o pinto não subia mais. Como todos sabem, o deus curtia umas lapadas nas rachadas mais do que sorvete e por isso tem vários filhos com mulheres mortais. Uma dessas mortais é Zola, cujo bebê está destinado a sentar o rabo no trono do papai. Por conta disso, começa uma quizumba no meio divino para ver quem consegue matar a criança para tomar o lugar de Zeus para si. Eis que surge um tal de Primogênito, o primeiro filho de Zeus e Hera, o qual, segundo a profecia, arrebentaria o rabo do pai, mataria todos os irmãos e tomaria a boca do morro do Olimpo.  Para evitar isso, Zeus o abandona. O cara cresce todo revoltadinho e resolve que será o rei dos deuses custe o que custar. Ele, como os outros filhos de Zeus, também passa a perseguir Zola e seu bebê, que são protegidos pela Mulher Maravilha – a qual não gosta muito desse nome preferindo ser chamada de Diana. O que esse bebê de Zola revela-se ser no final da saga é muito louco, mas não vou dar spoilers.

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Enfim, essa é uma revista foda, com uma história foda, com personagens fodas, com um final foda, com vilões fodas. E se você prefere ler as bostas das novas revistas do Batman ou dos X-Men em vez dessa só porque tem preconceito em relação à personagem, então só lamento.  São 35 edições que merecem sair em encadernados para se ter na prateleira.

E só um adendo: além dessa revista, há um desenho da Mulher Maravilha feito em 2009 que também é muito, muito bom. O único porém é que ela usa o antigo e merdoso uniforme. Mas merece ser assistido

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