O Gigante de Ferro - Netflix5Eu amo animações. Já completei 26 primaveras (#aprendicomsilviosantos), mas continuo com a opinião de que esse tipo de obra, quando bem realizada, não é apenas para crianças. E muita gente pensa da mesma forma! Quando vou ao cinema conferir algum ~desenho~, acho que há mais adultos do que crianças ou adolescentes. Em alguns casos, os adultos saem até mais satisfeitos do que os pequenos. Mas não foi sempre assim. Na época das locadoras, era vergonhoso aparecer no balcão com uma fita (tome esse tapa de nostalgia) “infantil” nas mãos. Nos cinemas, só os filmes da Disney atraíam alguns adultos e mesmo assim você não saía cantando “Let it go” por aí, sem medo de ser feliz. Por isso, filmes muito, muito bons acabaram não chegando ao grande público, virando coisa de nicho. Entre eles, está uma das melhores animações que já vi, mesmo tendo a assistido pela primeira vez há poucos dias, cerca de 16 anos após o seu lançamento. E recomendo que você faça o mesmo.

MCDIRGI EC011O Gigante de Ferro (não confundir com Gigantes de Aço ou Homem de Ferro) é uma produção da Warner Bros lançada no longínquo ano de 1999. A obra é uma adaptação do romance The Iron Man (ok, pode confundir com o Homem de Ferro) de Ted Hughes. O provável motivo pelo qual o filme continua famoso até hoje? Ele foi dirigido por Brad Bird! Ele mesmo, o diretor de Os Incríveis, Ratatouille e Missão Impossível 4! O Gigante de Ferro foi o primeiro longa do sr. Pássaro e já é possível notar em tela toda a sua sensibilidade, que no futuro faria com que nos apaixonássemos até por um rato em uma cozinha. “Trabalhar” com um robô humanoide, então, seria moleza.

A história de O Gigante de Ferro possui um elemento que, como eu já disse em outros textos, dá um tom ao filme que me agrada muito: a inocência. A trama se passa em uma pequena cidade dos EUA durante a Guerra Fria e gira em torno de um robô gigante de origem desconhecida que simplesmente aparece por lá. Após ser avistado por algumas poucas pessoas e ser considerado uma lenda urbana pela maioria, o robô é encontrado por Hogarth, um garoto de nove anos que o salva de um acidente em uma estação de energia e logo se torna seu amigo. Nesse e em outros pontos o filme é muito parecido com Como Treinar Seu Dragão, já que a construção da amizade entre um garoto frágil e inocente e um ser grande e poderoso é muito semelhante. Sim, o filme do Banguela veio bem depois, mas se eu precisasse apresentar O Gigante de Ferro a alguém, poderia defini-lo como um “Como Treinar Seu Robô Gigante”.

O Gigante de Ferro - Netflix3Sobre a inocência, é claro que ela está relacionada ao fascínio que o garoto adquire pelo gigante, mas não está restrita a ele. Durante o filme, personagens adultos também preferem gostar do robô a ficarem com medo, por não saberem de onde aquilo saiu. Porém, é claro que precisamos de um antagonista para a trama. Kent Mansley é um agente do governo que representa a típica pessoa de cabeça fechada que, ao se deparar com algo fantástico, só pensa em criticá-lo e destruí-lo. Para cumprir o seu objetivo e provar que está certo, Mansley é capaz de fazer as coisas mais terríveis. Exceto uma: prestar atenção no gigante de ferro. Sabe aquele pai que só quer saber de brigar com os filhos? Aquele chefe que só sabe criticar? Aquele político que só quer mandar, sem nunca ouvir o povo? Faça a correlação que quiser, mas o fato é que esse cara é apenas um grande babaca, de dar até pena.

Já o robô… Ah, esse é um dos melhores personagens que eu já tive o prazer de conhecer. Apesar de gigante e poderoso, ele parece uma criança, aprendendo sobre as belezas do mundo… E também sobre as coisas ruins. O perigo. A violência. A morte. O diálogo entre ele e o garoto sobre a morte de um cervo é umas das mais belas cenas do cinema. Vin Diesel, que recentemente conquistou o mundo dizendo apenas “I am Groot”, já mostrava aqui que sabia trabalhar muito bem com a sua voz. O momento em que é dita a frase “Souls don’t die” deveria constar nas listas de grandes cenas da história.

O Gigante de Ferro - Netflix2Ainda sobre frases marcantes, em uma determinada cena Hogarth tenta acalmar o gigante, que por algum motivo está se tornando perigoso. “Você é quem você escolhe ser”, diz o garoto. Isso é muito poderoso! Se mesmo um robô pré-programado para obedecer a determinados comandos é capaz de ESCOLHER ser outro tipo de “pessoa”, por que nós não podemos fazer o mesmo? Ou, mais forte ainda, imagine uma criança vendo esse filme e absorvendo essa mensagem como uma filosofia para o seu futuro. Na minha opinião, filmes podem mudar vidas. E O Gigante de Ferro é uma obra com esse tipo de poder. Abra a Netflix e deixe esse filme “desconhecido” pousar tranquilamente na sua mente, com a mesma abertura e inocência com que o garoto aceitou ter a também desconhecida máquina como sua grande amiga. Te garanto que a experiência será inesquecível.

O Gigante de Ferro na Netflix: http://bit.ly/NerdflixGiganteFerro

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

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