Looper - Netflix493% de aprovação no Rotten Tomatoes. Nota 7,5 no IMDB. 110 milhões de dólares de arrecadação nas bilheterias, contra um orçamento de 30 milhões. Um sucesso, sem dúvida. Um dos grandes filmes da década? Um filme que será lembrado para sempre? Infelizmente, me arrisco a dizer que não. Looper: Assassinos do Futuro (primeira e última vez que uso esse subtítulo no texto) é, sim, um filme espetacular, com uma ideia fantástica, uma execução excelente, mas com um problema grave, que é curioso por ser justamente o tema principal do filme: o tempo.

Looper é uma obra de 2012, escrita e dirigida por Rian Johnson, simplesmente o cara que dirigiu Ozymandias, o melhor de todos os episódios de Breaking Bad, e que está contratado para comandar Star Wars VIII e IX. Ou seja, um baita diretor! Durante todo o filme, temos a impressão de que estamos realmente diante de um cara com muito talento, pois a sua assinatura é visível durante os 119 minutos de projeção. Porém, a falha de Looper (isso na minha opinião, é claro) é em relação ao roteiro, que em sua maior parte é brilhante, mas que comete alguns erros bobos que acabam marcando o filme…

Joseph Gordon-Levitt; Bruce WillisA trama se passa em 2044, em Kansas City (ótima escolha de ambientação, para não gastar muito inventando coisas futurísticas que teríamos se o filme se passasse em Nova York, por exemplo). Nessa realidade, existe um grupo de assassinos profissionais, especializados em matar pessoas do futuro. Não que eles sejam viajantes do tempo, na verdade eles matam pessoas que são enviadas do futuro para o presente, para que o crime seja cometido e o corpo seja ocultado, desaparecendo totalmente de onde – ou melhor, de quando – ele veio. Mas chega um momento em que o assassino deve fechar o “loop”. A sua versão do futuro, 30 anos mais velha, é enviada de volta, para ser assassinada por ele mesmo, mais jovem. Com isso, o looper recebe uma bela grana em barras de ouro – que valem mais do que dinheiro – é aposentado e curte tranquilamente os seus próximos 30 anos, sabendo que uma hora ele será enviado para o passado, para ser assassinado pela sua versão mais jovem, que receberá uma bela grana em barras de ouro – que valem mais do que dinheiro – se aposentará e curtirá tranquilamente os seus próximos 30 anos, sabendo que… Enfim, esse é o loop que precisa ser fechado constantemente.

Joe (Joseph Gordon-Levitt, com o rosto modificado para ficar parecido com Bruce Willis) é um desses loopers. Quando o Joe do futuro (o próprio Bruce Willis) é enviado para ser assassinado, Joe não consegue matar Joe. Joe toma um cruzada de esquerda de Joe e fica desacordado enquanto Joe foge. Agora, Joe deve encontrar Joe e matá-lo, enquanto Joe tenta convencer Joe do contrário. No final, eles se entendem e lançam a marca Joe Joe (#piadainfamedodia).

Como se já não bastasse toda essa história de viagens no tempo, ainda é inserido mais um elemento à trama: telecinese. Em 2044, uma pequena porcentagem da população adquiriu esse ~poder mutante~, mas quem o possuía o usava de maneira tímida, como levitação de moedas e isqueiros inofensivos. Apesar de parecer algo de certa forma irrelevante, a adição desse tema transforma Looper em algo único, totalmente original.

Looper - Netflix2Agora, o problema sobre o qual eu falei acontece quando passa um certo tempo e você passa a refletir sobre o que assistiu. Nesse momento, você nota alguns pontos tolos, que não fazem muito sentido de acordo com o que foi mostrado. Não quero dar spoilers, então se você assistir ao filme, entender sobre o que estou falando e discordar ou concordar com essa crítica, poste seu comentário, para que a discussão continue. Mas falando bem por cima, não faz muito sentido você mandar alguém pro passado para alguém ter o trabalho de matar essa pessoa e esconder o corpo, sendo que seria mais fácil simplesmente enviá-lo para dentro de um vulcão ou para o fundo do mar, por exemplo. É claro que a justificativa mais óbvia para isso é o fato de que a viagem deve acontecer apenas no tempo e não no espaço, então a pessoa voltaria exatamente para o mesmo lugar, mas 30 anos no passado. Ok, mas… Tem um certo personagem que aparentemente morava na China e volta direto para Kansas, não é mesmo? Ou será que esse personagem pegou um avião com os bandidos antes de entrar na máquina do tempo? Outra incoerência é um assassinato que acontece numa boa no futuro, sendo que a justificativa para a viagem no tempo era justamente a dificuldade de ocultar um corpo em 2074. Inclusive, acho que seria mais fácil se eles matassem a pessoa no futuro e mandassem só o corpo para o passado, certo?

Isso tudo pode parecer apenas um mimimi sem sentido, mas na época do lançamento de Looper era muito comum encontrar essas críticas, mesmo entre as pessoas que gostaram do filme, o que é o meu caso, por exemplo. Adorei Looper, coloquei-o na lista dos melhores filmes de 2012, mas ao final fica a impressão de que faltou algo para que ele levasse uma nota 10 com louvor. E talvez seja justamente por causa dessas pequenos erros. Parece que o filme quis ser tão perfeito, que qualquer falha, por mínima que seja, mancha a obra.

Looper - Netflix5Ainda sobre as possíveis falhas do roteiro, em certo momento o Joe de Bruce Willis diz em uma discussão que não quer falar sobre viagens no tempo, como se dissesse ao espectador: “Você está encontrando incoerências? Não interessa, sente-se e assista ao filme sem reclamar!”. Só que parte do público não obedeceu essa ordem… Talvez se alguns desses pontos fossem trabalhados de forma mais precisa, Looper não teria recebido as críticas que recebeu e se tornaria um dos maiores filmes da história do cinema. Quem sabe um dia o Rian Johnson do futuro volte e conserte esses erros… Então, ao invés de ler as últimas linhas desse texto como estão agora, você encontrará palavras de um cara maravilhado com uma obra perfeita. Vamos ver o que tempo pode fazer em relação a isso.

Looper na Netflix: http://bit.ly/NerdflixLooper

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

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