Como eu fico triste quando vejo esse tipo de filme… Uma ideia tão legal! Uma temática tão interessante! Atores (alguns) tão bons! E uma execução tão fraca… Sendo uma mistura de The Running Man e Quero Ser John Malkovich, Gamer poderia ser um filmaço, com cenas de ação espetaculares e uma ótima reflexão sobre vida virtual, reality shows e manipulação mental. Mas infelizemente não é isso o que encontramos quando apertamos o START…

Gamer - Netflix4Gamer é uma filme americano de 2009, escrito e dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor, a mesma dupla responsável por Adrenalina e Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança. Ou seja, diretores de filme surtados, mas de qualidade bem duvidosa. Se eles têm uma mão razoavelmente boa para a ação – o que nem em Gamer funciona como deveria -, a condução da trama falha miseravelmente, já que poderíamos ter um filme muito mais profundo em vários aspectos, mas acabamos vendo uma obra rasa e cheia de falhas.

A expectativa de ver um produto de qualidade aumenta ainda mais quando vemos Gerard Butler, o eterno Leônidas, no papel principal. Pra completar, o elenco ainda conta com Michael C. Hall, na época em que Dexter ainda estava no auge, Logan Lerman um pouco antes de fazer Percy Jackson e Terry Crews, o pai do Chris! Mas nem isso salva o filme. Gerard Butler está muito bem, é claro, mas o personagem de Michael C. Hall, o vilão do filme, é incrivelmente péssimo, chegando a executar até mesmo um número de dança afetado em um momento crucial da trama. Até o Terry Crews dança no filme, gente, não dá pra levar uma coisa dessas a sério.

Gamer - Netflix2Como eu disse, a premissa de Gamer é muito boa! Em um futuro indeterminado, a tecnologia evoluiu a um ponto onde se tornou possível a implantação de um chip na cabeça de uma pessoa para que outro a controle. Com isso, foi criado o Society, um jogo ao estilo Second Life, mas com pessoas reais no lugar dos personagens, sendo controladas por “gordos granudos” como o filme, de forma até preconceituosa, retrata o perfil dos fãs desse tipo de jogo. Após o sucesso de Society, seus desenvolvedores criam o Slayer, um Call of Duty genérico onde os jogadores controlam pessoas de carne, osso e sangue em uma batalha sangrenta. E já que esse jogo obviamente resulta em muitas mortes, os avatares são todos criminosos condenados à pena de morte, tendo no game uma chance de sobreviver, pois se alguém vencer 30 rodadas, será considerado livre. Kable (Gerard Butler) é o mais famoso desses slayers, já que ele está quase alcançando sua 30ª vitória e, com isso, sua liberdade. Enquanto isso, sua esposa tem que trabalhar como “atriz” em Society – se sujeitando às coisas mais repugnantes – para conseguir pagar as contas e tentar recuperar a guarda da filha.

O problema é que com cinco minutos de filme já dá pra ver que ele vai decepcionar. A direção é muito, muito ruim, falhando em não conseguir algo tão essencial: nos colocar “dentro” do jogo, já que essa é a proposta da coisa toda. A impressão é que Gamer é um videoclipe de uma hora e meia, já que é tudo muito rápido, muito picotado, muito frenético… Só que isso tudo é exatamente o contrário do que temos em um game. Enquanto nos games temos uma ação intensa, mas sempre em um grande “plano sequência”, em Gamer creio que não há uma tomada que dure mais do que dez segundos sem um corte. O espectador simplesmente não consegue entender o que está acontecendo, o que mata o totalmente o clima que a ideia inicial cria.

Gamer - Netflix3Além disso, falta coerência ao trabalho como um todo. Enquanto vemos Gerard Butler levando o filme a sério, tentando dar uma certa profundidade ao seu personagem, os diretores fazem questão de transformar tudo em uma grande bobagem nonsense, inserindo personagens, piadas e situações que destoam totalmente do que estamos acompanhando. Some a isso furos de roteiro, resoluções patéticas, a atuação vergonhosa de vários atores – Milo Ventimiglia aparece durante dois minutos e você sente pena do cara – e temos como resultado um candidato a filme do ano se tornando uma decepção gigantesca, algo que te dá vontade apenas de fechar a Netflix e ligar o seu próprio vídeo-game, pra ter uma experiência melhor…

Gamer na Netflix: http://bit.ly/NerdflixGamer

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

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