“Você está entrando em uma outra dimensão. Uma dimensão não só da visão ou do som, mas da mente. Uma jornada para uma região assombrosa, onde os limites existem apenas na sua mente. Você está indo Além da Imaginação”. Lembra de Além da Imaginação, série que passava no SBT há uns 12 anos, cujos episódios eram apresentados por Forest Whitaker? Essa é a abertura da versão de Além da Imaginação (The Twilight Zone) de 2002, mas para quem não sabe, a série original é de 1959, na época em que as pessoas e as coisas não tinham cores, só preto e branco. Além dessas duas fases citadas, em 1985 também tivemos novas temporadas de The New Twilight Zone, que havia sido resgatada dois anos antes, em um filme que homenageava a série. O homem sentado na cadeira de produtor do filme? Steven Spielberg. O título original? The Twilight Zone – The Movie, é claro. O título abrasileirado? No Limite da Realidade (aí tem que ir muito além da imaginação pra entender o motivo dessa tradução):

Caso você não se lembre ou não conheça The Twilight Zone (não tem nada a ver com Crepúsculo, gente!), a série mostrava a cada episódio uma história única, quase sempre envolvendo elementos sobrenaturais e sempre com roteiros brilhantes! Por exemplo, de cabeça lembro de um episódio onde uma mulher (ou seria um homem?) volta no tempo para tentar assassinar o bebê Hitler, para impedir todo o mal que ele causou! Ela se envolve com a família Hitler, ganha a confiança deles e no final do episódio toma o pequeno Adolf das mãos de sua babá durante um passeio e se joga de uma ponte com a criança! :O Porém, como os pais do Adolfinho não davam muita atenção a ele e não presenciaram o ocorrido, a babá resolve sequestrar outro bebê para substituir o original. E como a vida é uma caixinha de surpresas, esse novo bebê é quem realmente tinha a semente do mal dentro dele, virando o Hitler que conhecemos no futuro. Louco, não? Em outro episódio, um cara percebe que seus vizinhos estão sendo visitados por dois homens estranhos e estão desaparecendo após essas visitas! Paranóico, ele faz de tudo pra impedir que esses homens entrem em sua casa, chegando ao ponto de atirar em um deles, após eles insistirem em entrar. Nesse momento, são reveladas asas em suas costas e os homens (que eram anjos) voltam para o céu, deixando o paranóico aqui na Terra que está sendo destruída, já que ele não quis recebê-los e ser salvo! Faça um favor a si mesmo e vá atrás dessa série, agora mesmo! Quer dizer, “agora” não, primeiro termine de ler o texto. 😛
Em 1983, Steven Spielberg e John Landis resolveram produzir um filme homenageando a The Twilight Zone clássica. No filme, são apresentados um prólogo (protagonizado por Dan Akroyd e Albert Brooks) e quatro segmentos independentes, cada um com um diretor diferente. A nota triste é que, durante as filmagens de um dos segmentos, ocorreu o acidente mais trágico da história do cinema…
Time Out – Dirigido por John Landis
Das quatro histórias apresentadas, essa é a única original, já que as demais são remakes de episódios da série clássica. Na trama, acompanhamos Bill Connor (Vic Morrow) um homem rabugento e racista, que acaba de perder uma promoção para um judeu e automaticamente coloca a culpa de tudo o que acontece de ruim nos Estados Unidos nas costas dos judeus, dos negros e dos asiáticos (é tipo o torcedor babaca que vira racista e ofende um jogador rival só porque o seu time está perdendo). Para lhe ensinar uma lição, o universo resolve dar uma modificada na realidade e transportá-lo para a Alemanha nazista, para as mãos do Klu-Klux-Klan e para o Vietnã em guerra, para que ele pudesse sentir na pele o que é sofrer preconceito e ser caçado só por causa da sua cor da pele ou da sua origem. O trágico aqui é que esse foi o último trabalho do ator Vic Morrow, já que ele morreu durante as próprias filmagens, em um acidente terrível que vitimou também duas crianças. A história desse acidente já foi contada em outros sites e há um inclusive um vídeo no Youtube com as filmagens da cena onde o acidente ocorre. Não vou linká-lo por motivos óbvios, mas o Google está aí pra isso, caso você se interesse pela história. 🙁
Kick the Can – Dirigido por Steven Spielberg
 
Nesse segmento o sobrenatural também está presente, mas não de uma forma assustadora. Em um asilo onde os idosos vivem lembrando dos bons momentos da infância, querendo voltar a fazer coisas que hoje já não conseguem, um novo hóspede resolve incentivá-los a correr o risco e voltarem a brincar como quando eram crianças, enquanto um outro idoso atua como o contraponto, afirmando que é bom ser velho. Uma simples lata e uma escapada à noite vão mostrar quem é que estava certo… Apesar de ser dirigida por Steven Spielberg, confesso que essa é a história que menos me atraiu, mas ainda assim ela consegue passar uma mensagem muito legal, que precisa ser ouvida por muita gente por aí…
It’s a Good Life – Dirigido por Joe Dante
O segmento mais “da hora” de todos, sendo tenso e cômico ao mesmo tempo, o que Joe Dante conseguiu fazer novamente no ano seguinte, ao dirigir Gremlins, outro clássico da nossa infância. Em It’s a Good Life, Helen Foley (Kathleen Quinlan) está viajando de carro quando resolve parar em um bar na estrada, pra bater aquele rango. Lá, ela defende um garoto que está jogando um fliperama e causando interferências na televisão, o que causa a ira de alguns homens que estão a assistindo. Na saída do local, Helen dá uma de Natalie Portman em Thor e acaba batendo no garoto e em sua bicicleta ao sair de ré do estacionamento. Para compensar o erro, Helen se oferece para pagar uma nova bicicleta e para dar uma carona a Anthony, que mora onde Judas perdeu as meias, alguns quilômetros após ter perdido as botas. Chegando na casa, a família de Anthony a convida para ficar para o jantar… E talvez ficar um pouco mais…
Nightmare at 20,000 Feet – Dirigido por George Miller
Esse, sim, o melhor segmento do filme e uma das histórias mais aterrorizantes que eu já vi! George Miller (diretor de Mad Max e Happy Feet !?!?!) dirige o remake de um dos episódios mais clássicos de The Twilight Zone, protagonizado em 1963 por William “Kirk” Shatner. Nessa nova versão, acompanhamos John Valentine (John Lithgow), um escritor que está em estado de pânico durante uma viagem de avião. A sua paranóia é causada pelo simples medo de voar mesmo, ainda mais considerando que eles estão passando por uma forte tempestade, mas a situação vai além da imaginação quando ele vê um ser do lado de fora, na asa do avião! Essa cena, inclusive, já foi parodiada em outros filmes e séries, como Os Simpsons e Madagascar. E essa cena me fez olhar apavorado para fora durante todas as (duas) viagens de avião que eu já fiz. Sério, se você ficou curioso para conhecer The Twilight Zone, tanto o filme, quanto a série, comece assistindo direto esse segmento, que começa a partir de 1:13:45 de No Limite da Realidade, na Netflix.
The Twilight Zone é algo que merece ser visto. É claro que os efeitos visuais são toscos. Sim, em alguns casos eles usam máscaras de borracha ao invés de maquiagens realistas como temos hoje. Mas se você dá mais valor a uma excelente história, ao invés desses detalhes de produção, The Twilight Zone é a série perfeita pra você. “Você abre essa porta com a chave da imaginação. Atrás dela há outra dimensão. Uma dimensão de som. Uma dimensão de visão. Uma dimensão da mente. Você está entrando em um território de sombra e substância, de coisas e idéias. Você acaba de passar para Além da Imaginação.”
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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)
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