“Do tratado da traição: Como punição pela sua rebelião, cada distrito deverá oferecer dois jovens, um homem e uma mulher com idades entre 12 e 18 anos, para uma ‘colheita’ pública. Os tributos serão entregues à custódia da Capital e transferidos para uma arena onde lutarão até a morte, até só restar um vencedor. Este torneio será conhecido como os Jogos Vorazes.” Onde esse é um filme para menininhas adolescentes, seu nerd preconceituoso? 😛 Mas ok, eu entendo o seu lado pois já estive aí, cheio de preconceito com essa “nova saga adolescente”. E hoje estou aqui para dizer por que você, meu amigo nerd de todas as sextas-feiras, deve ver hoje mesmo Jogos Vorazes:


Jennifer Lawrence.

Obrigado, curta o filme e até semana que vem!

Ééééé, meu amigo, precisa de um motivo melhor para ver Jogos Vorazes? A hoje queridinha de todo mundo Jennifer Lawrence despontou para a fama pra valer em Jogos Vorazes, apesar de um ano antes ter feito X-Men: Primeira Classe e já ter sido até indicada para o Oscar em 2010 por Inverno da Alma. Mas só após dar vida ao papel de Katniss Everdeen e o filme ser um sucesso de público e crítica, é que o nome da moça que começou sua carreira como uma mascote em Monk (!!!!) realmente ficou na boca da galera. Então, você que curtiu X-Men, O Lado Bom da Vida (filme que rendeu o Oscar de melhor atriz para ela) e Trapaça, tem uma desculpa perfeita para assistir Jogos Vorazes, “só para ver a Jennifer”. E como o filme é MUITO mais do que apenas a sua atriz principal, você terá uma grata surpresa.

Mas agora, caso você tenha saído da hipnose da Jennifer Lawrence e voltado a lembrar que você “nunca veria Jogos Vorazes, esse filme de menininha”, é hora de quebrar esse preconceito. Hoje mesmo, conversando com uma colega da faculdade que nunca viu o filme (sim, mulheres também têm esse preconceito), relembrei de algo que me fez não querer ver Jogos Vorazes na época de seu lançamento. Esse é o mesmo motivo que a fez não o assistir até hoje e também pode ser o seu: o trailer. Ou melhor, a mensagem super equivocada que ele passava… Infelizmente, eu falhei miseravelmente e não encontrei esse trailer/teaser em específico, mas se você souber qual é e tiver o link, por favor deixe nos comentários. O trailer em questão era até legalzinho, bacana, mas fechava com uma frase muito ruim. Dizia: “Após Crepúsculo e Harry Potter, vem aí a nova grande saga do cinema”. Poxa vida, tentaram vender Jogos Vorazes como “o novo Crepúsculo”!!! Eu me lembro que quando passava esse trailer, com essa frase, a galera no cinema dava até risada, dizendo “pfff, eu que não vou ver isso aí”. E pra mim a mensagem foi pior ainda, pois nem de Harry Potter eu gosto (“Quem convidou esse cara pro Nerds do Fundão?”). Mantive essa cabeça dura até o filme ser lançado e a galera começar a elogiá-lo. Como na época estava estreando uma mega sala de cinema aqui em Campinas e Jogos Vorazes estava em cartaz nela, aproveitei a ocasião para conhecer a sala e ver se esse filme era ruim mesmo, pra falar mal com propriedade. Saí do cinema querendo comprar os livros. Hoje tenho o box com a trilogia, bottons, camiseta, pôster e até o broche do Tordo. Sim, o filme é capaz de tudo isso! E ele está lá, pronto para ser experimentado.

Ok, já falei da Jennifer Lawrence, já dei meu depoimento pessoal do grupo dos Preconceituosos Anônimos, mas falta o principal: a história. Jogos Vorazes se passa em um futuro talvez não muito distante, onde a América do Norte como a conhecemos não existe mais, dando lugar a um território chamado Panem. Em Panem, há a Capital, repleta de riquezas, fartura e muita futilidade, e 12 distritos, cada um responsável por um trabalho específico (extração de carvão, fabricação de artigos de luxo, pesca, energia, etc.) que servirá ao povo da Capital. A realidade de Panem é assim pois, 74 anos atrás, houve uma “guerra” onde os distritos se voltaram contra a Capital e acabaram derrotados. Foi então que a Capital determinou que, todo ano, dois jovens de cada distrito seriam sorteados para participarem dos Jogos Vorazes, uma competição televisionada (e que faz o maior sucesso, é tipo o Big Brother deles) onde esses 24 jovens devem lutar entre si até restar apenas um sobrevivente. Essa cruel competição, com os jovens morrendo para proporcionar diversão para o povo da Capital, serve como um recado para os 12 distritos, para que eles não se esqueçam de quem está no poder e do que o governo é capaz.

“Ah, mas isso só um background pra mais um triângulo amoroso besta, nem deve morrer ninguém nesses Jogos”. Cara, você se engana. Jogos Vorazes é, sim, MUITO violento! Por mais que você já saiba que o filme se trata disso, por mais que você esteja há mais de uma hora vendo os treinamentos aos quais eles são submetidos, por mais que TUDO gire em torno disso… Quando a contagem regressiva termina, os Jogos começam e as primeiras crianças morrem, é impossível ficar indiferente. De volta à minha experiência no cinema, quando os Jogos começaram eu me senti extremamente angustiado e revoltado com aquela situação. Naquele momento, o filme deixou definitivamente de ser uma “nova saga adolescente” para se tornar algo muito grande e muito importante, com inúmeros paralelos com a nossa realidade atual. Ao final do filme, eu saí da sala louco pra reunir todos os presentes, sentar e debater tudo aquilo que tínhamos visto, comparando com o que vivemos atualmente. A futilidade da moda, esportes que deixam o octógono banhado de sangue mas que fazem o maior sucesso, governos usando artimanhas para enganar o povo, a hipervalorização dos reality shows… Está tudo ali, presente em Jogos Vorazes, o que te deixa ainda mais incomodado, sabendo que aquela realidade alternativa talvez não seja tão inventada assim, funcionando quase como uma previsão exagerada de o que aconteceria se a nossa sociedade continuasse desse jeito e não houvesse ninguém pra dar um “chega”.

Essa é a força de Jogos Vorazes, meu caro. Agora, com isso em mente, eu entendo e apoio totalmente o fato do filme ser vendido como o novo Crepúsculo, com um elenco todo bonitinho com perfil de capa de revista teen, com um clichê triângulo amoroso (sim, disso ele não teve como fugir) e várias características de mais um enlatado adolescente. Veja bem, se esses elementos fazem os jovens assistirem a esse filme ou lerem os livros e terem acesso a todo esse conteúdo maduro, capaz de fazer muitos deles refletirem sobre a sociedade atual e o futuro que podemos chegar e qual é o papel deles nisso tudo, o objetivo está alcançado! Veja bem, os motivos que podem ter criado o seu preconceito são exatamente os motivos que farão toda uma geração que só vê coisa fútil ter conhecimento de coisas como política e filosofia, que eles nunca se interessariam pelos meios convencionais.

Jogos Vorazes é uma grande obra. Sua continuação, Em Chamas, é ainda mais intensa e revoltante, no campo político (se Em Chamas tivesse estreado em meio às manifestações do ano passado, o Tordo seria tão usado como símbolo quanto a máscara do V) e A Esperança é um desfecho épico para a melhor “saga adolescente” que já surgiu. Veja Jogos Vorazes hoje mesmo, já aproveite e assista Em Chamas, que também está na Netflix e que eu falarei aqui em breve, e prepare-se para curtir A Esperança – Parte I em novembro nos cinemas, ao lado de adolescentes histéricas gritando “Katniiiiiis”, “Peeeeeetaaaaa” e “Gallllllllle”, mas já então com a cabeça livre de qualquer preconceito e satisfeito, sabendo que essas histéricas, que representam “o futuro do nosso país”, sabem ser tietes, mas também sabem absorver essa história, que poderá influenciá-las por toda a vida.

Deixe o preconceito bobo de lado e junte-se à revolução. #OTordoEstáVivo e você não pode deixar de curtir esses filmaços no cinema enquanto ainda há tempo. Agora, você já é fã e conhece alguém que nunca viu o filme, por esses motivos que eu citei? Envie esse post para essa pessoa (ou compartilhe logo com todo mundo, melhor ainda 😀 ). Se mesmo assim ela não assistir, mande uma teleguiada à casa dela, pra terminar o serviço. ;D

Jogos Vorazes na Netflix: http://bit.ly/NerdflixJV

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)
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