Nerdflix #57 – Poltergeist

Nerdflix #57 – Poltergeist

Poltergeist - Netflix3Chegou o Halloween! Embora a data não seja tão celebrada aqui no Brasil (exceto pelas escolas de inglês), eu, no QG do Nerds do Fundão, pensei: “Tenho que fazer um texto especial para os leitores do Nerdflix. Tenho que escolher um filme aterrorizante, que os deixará sem dormir por dias. Tenho que deixá-los com medo só com as minhas palavras, independentemente do filme”. Apostei na nostalgia. Escolhi Poltergeist. Ok, talvez você não fique tão amedrontado assim, mas eu pude redescobrir uma ótima fantasia cômica de terror.

O primeiro Poltergeist foi lançado em 1982, escrito, produzido e, segundo muitos dizem, dirigido por Steven Spielberg, mesmo que oficialmente o diretor fosse Tobe Hooper. Assistindo ao filme hoje, é impossível não compará-lo às outras obras de Spielberg dos anos 80 e 90. Mesmo sendo um filme de terror, Poltergeist nos passa aquela magia bacana característica dos filmes da época, como Goonies e ET. Em muitos momentos, mesmo quando a situação já está feia, o filme consegue ser leve e até muito divertido, o que te deixa ainda mais apavorado quando chega uma cena que te faz lembrar que aquilo é um terror. É muito estranho rir de um pedaço enorme de bife se mexendo sozinho como uma minhoca e segundos depois ver o rosto de uma pessoa se desfazendo! o.O

Poltergeist - Netflix2E eu confesso que não lembrava desse lado suave e até cômico de Poltergeist. Inclusive, esse foi um dos motivos que me levaram a escolher esse filme para o Nerdflix de Halloween: eu não lembrava de praticamente nada sobre ele! Poltergeist é um daqueles clássicos do terror que todo mundo conhece, muitos lembram que já o assistiram, mas não é um filme que se manteve tão forte e presente na cultura nerd como os protagonizados por Jason, Freddy ou Chucky…

Para quem não se lembra ou não conhece a trama, Poltergeist conta a história dos Freeling, uma típica família americana dos anos 80. O pai, Steve, é corretor de imóveis e é graças a esse emprego que eles conquistaram a casa onde vivem, em um novo residencial. O problema é que, como esse é um filme de terror, é claro que há algo de errado com o lugar. Numa noite chuvosa, após a árvore do quintal quase engolir (!!!) uma das crianças, a pequena Carol Anne desaparece de dentro do seu armário, sequestrada por algo/alguém que ela chamava de “as pessoas da TV”. E é justamente através da TV, em um daqueles canais não programados que só exibem chiados, que ela consegue se comunicar com a família.

Poltergeist - Netflix4 Com isso, o filme se torna uma espécie de Atividade Paranormal misturado com Invocação do Mal e com uma pitada de Os Caça-Fantasmas, já que a família chega a contratar uma equipe ~especializada~ para tentar solucionar o problema, mas que nunca viu nada do tipo. Apesar de toda a leveza que eu já citei, em vários momentos Poltergeist me deixou realmente assustado, ou no mínimo tenso. Mesmo com efeitos especiais hoje ultrapassados (mas que na época renderam até indicação ao Oscar), o filme consegue entregar o que propõe, pois vejo que é impossível assisti-lo sem ficar incomodado com a situação ou pelo menos preocupado com a pobre garotinha.

Sabendo o que aconteceu na vida real com a pequena atriz que interpreta Carol Anne, fica ainda mais angustiante ver Poltergeist. O filme teve duas sequências, em 1986 e 1988. Infelizmente, alguns meses após o lançamento do terceiro Poltergeist, Heather O’Rourke, aos 13 anos, faleceu devido a um problema estomacal não identificado pelos médicos. Mexe comigo ver um filme onde um personagem está em perigo, torcer por ele, mas saber que na vida real aquela pessoa não ficou bem no final (será tenso ver Jogos Vorazes: A Esperança com o Philip Seymour Hoffman no cinema :/ ). Enfim, assim como esse texto, Poltergeist é uma montanha-russa de emoções distintas. Se eu comecei o post em um tom alegre, passei para a tensão e o terminei deprimido, não foi por acaso. Assistir a Poltergeist hoje é mais ou menos assim, pois você não sabe o que sentir, apenas vai sendo levado pela trama. Ao final, você está hipnotizado pela TV! Mas corra para desligá-la rapidamente, antes que os chiados comecem…

Poltergeist na Netflix: http://bit.ly/NerdflixPoltergeist

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)
Nerdflix #56 – Ted

Nerdflix #56 – Ted

“Hakuuuna Matata… É liiindo dizer…”. Mas no final, o Simba volta pra casa.

“Let it go! Let it gooo! Não posso mais seguraaaar!”. Mas a Elsa não deixa tudo pra trás quando precisam dela.

Curtir a vida adoidado é muito bom, mas até o Ferris Bueller termina o seu dia com uma certa lição de responsabilidade. A vida é assim. Por mais que seja legal uma rotina de moleza, chega o momento em que você precisa tomar jeito e “crescer” de verdade. Ted é sobre isso. E sobre como você deve fazer essa mudança da maneira correta.

Ted - Netflix2Em 2012, Seth MacFarlane (o criador de Family Guy e American Dad) decidiu se aventurar no cinema, dirigindo o seu primeiro longa metragem: Ted. Se você ainda não o assistiu, tenho certeza que pelo menos já ouviu falar a respeito, já que o filme gerou muita polêmica na época de seu lançamento. Teve até um político brasileiro desavisado que levou seu filho de 11 anos ao cinema – ignorando a classificação indicativa – para curtir o filme do ursinho falante e no dia seguinte xingou muito no Twitter, achando um absurdo um urso tão bonitinho usar drogas e falar palavrões. É claro que tudo isso só tornou o filme mais famoso, fazendo dele um grande sucesso não só aqui no país da politicagem perfeita, mas também no mundo todo, faturando mais de $500 milhões só em bilheteria.

Ted tem palavrões, drogas, sexo, piadas politicamente incorretas… Mas isso tudo você já viu e pode comentar e rir na mesa do bar com seus amigos, então acho melhor falar sobre o que podemos aprender com esse urso que mostra o dedo pro céu quando ouve um trovão.

O filme conta a mágica história de John Bennet, um garoto sem amigos que, em um milagre de Natal, vê seu urso de pelúcia que ele recebera de presente ganhando vida. Prometendo que seriam amigos para sempre, John e Ted crescem juntos como bons e inseparáveis amigos, do tipo que puxam um fumo no sofá da sala enquanto assistem ao filme do Flash Gordon. Se ao ganhar vida Ted tinha o espírito de uma criança (não literalmente, ele não é o Chucky), quando o tempo passa ele naturalmente se transforma em um adulto, assim como John. O problema é que eles crescem, mas não amadurecem, ficando sem maiores objetivos na vida.

Ted - Netflix4E é claro que Lori, a namorada de John, não fica nada satisfeita com isso, cobrando uma posição mais firme do cara com quem ela está comprometida há quatro anos e que parece não querer levar nada a sério. MacFarlane soube dosar muito bem o nível de cobrança de Lori contra John, não transformando-a em uma garota chata disposta a mudar os hábitos do seu parceiro só porque é o que ela quer. Todas as críticas que ela faz em relação ao comportamento de John e o quanto isso se deve ao seu envolvimento com Ted se mostram muito bem fundamentadas, de forma com que nem o espectador e nem mesmo o próprio John consigam rebater.

Mas quando é o momento certo de mudar o rumo de sua vida e qual é maneira correta de fazer isso? Na minha visão, essa é a grande mensagem do filme, e o fato de ter um ursinho maconheiro que transa com colegas de trabalho e é promovido por isso acaba servindo mais como uma isca, um chamariz para atrair o público que está precisando ter esse “wake up call” em relação à sua preciosa vidinha.

Só que estamos vendo essa lição ser passada por Seth MacFarlane, o adulto que ganha a vida produzindo desenhos e dirigindo um filme no qual um urso de pelúcia reúne prostitutas sem vergonhas intestinais em casa. Incoerência? É claro que não! Em Ted, Seth mostra o seu ponto de vista a respeito do amadurecimento, com o qual eu concordo completamente. Com uma boa cabeça, você pode, sim, se tornar uma pessoa responsável, madura, comprometida, mas ainda manter aquela fagulha de idiotice acesa, aquele espírito brincalhão e quase infantil vivo em todos os seus atos. O errado (segundo a minha humilde opinião, é claro) é ficar eternamente no “Hakuna Matata”, sem assumir as responsabilidades óbvias da vida. Mas igualmente errado é deixar tudo isso pra trás e se tornar uma pessoa amarga que critica tudo o que certa vez já amou, pois seriam “coisas de criança”.

Ted - Netflix3Simba voltou para a Pedra do Rei, mas ele com certeza manteve o espírito do Hakuna Matata em seu reinado. Elsa retorna (olha o spoiler de Frozen!), mas nunca mais ficará trancada ouvindo sua irmã a chamando para brincar na neve, pois aprendeu a dose correta do “Let it go”. Ferris Bueller aprende a ser menos irresponsável, principalmente vendo o que acontece com o Cameron, mas conclui o filme dizendo que “a vida passa muito rápido e se você não parar para curti-la, poderá não vê-la passando”. E sem dar spoilers, esse é o espírito da mensagem passada ao final de Ted. Amadureça. Cresça. Seja um adulto responsável. Mas saiba que isso não significa que você deva deixar tudo o que te diverte para trás. Acredite, você será uma pessoa muito mais feliz se aprender a conciliar quem você “era” com quem você “deseja ser”. 🙂

Ted na Netflix: http://bit.ly/NerdflixTed

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Tarcísio Silva
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Nerdflix #55 – Madrugada dos Mortos

Nerdflix #55 – Madrugada dos Mortos

Madrugada dos Mortos - Nerdflix5O ano era 2003. O remake de Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, melhor traduzido como Despertar dos Mortos), clássico dos anos 70 do mestre George A. Romero, foi anunciado para o ano seguinte. Os fãs enlouqueceram. Mas no mau sentido. Quando o trailer foi exibido na convenção da revista Fangoria em janeiro de 2004, o público soltou a maior vaia da história zumbi. O roteirista James Gunn (o diretor de Guardiões da Galáxia) sentiu ainda mais de perto a fúria dos fãs quando recebeu ameaças de “te pego lá fora” e até mesmo de morte, por ousar refazer a obra-prima de Romero. O próprio mestre dos zumbis não ajudou em nada a produção do remake, já que em nenhum momento apoiou a sua realização, dizendo que não seria uma ideia muito boa. Pra piorar, o diretor Zack Snyder era apenas um cara desconhecido, vindo do mundo da publicidade, conduzindo aqui o seu primeiro trabalho na direção de um longa metragem. O palco do fracasso estava montado. Os 26 milhões de dólares investidos estavam subindo no telhado. Ninguém via Madrugada dos Mortos com bons olhos. Era o fim dos zumbis em grandes produções hollywoodianas. Era o fim da curta carreira de Snyder. Era o fim da vida de James Gunn. Era o fim. Madrugada dos Mortos era um filme que já nascia morto…

Mas como todo bom zumbi, ele se levantou novamente! Logo no primeiro final de semana em cartaz nos EUA, os $26 milhões investidos foram recuperados nas bilheterias. Ao redor do mundo, ele arrecadou cerca de 102 milhões de dólares, um excelente número pra um filme de zumbis. Em 2005, Madrugada dos Mortos recebeu até indicações em premiações de produções do gênero, como o Bram Stoker Awards e até mesmo o Chainsaw Awards, promovido pela Fangoria. Se em 2002 tivemos Resident Evil usando zumbis em um filme fraco e Extermínio usando infectados em um excelente filme, mas pouco visto, Madrugada conseguiu levar os mortos-vivos para a grande massa, reintroduzindo-os à cultura pop de forma séria. Graças ao Madrugada, inclusive, a Universal pôde bancar a produção do próximo filme de Romero, Terra dos Mortos, que acabou faturando menos da metade do que faturou a obra de Snyder (só deixando claro que eu adoro o Romero, estou apenas citando os números, não me matem). Se hoje temos os zumbis como algo comum no nosso dia a dia pop, muito se deve ao sucesso dos zumbis maratonistas de Madrugada dos Mortos. E o sucesso foi merecido, pois ele é realmente excelente.

Madrugada dos Mortos - Nerdflix3A sequência de abertura de Madrugada dos Mortos já provava que as críticas pré lançamento deveriam ser deixadas para trás. O filme começa com o fim do expediente de Ana (Sarah Polley) como enfermeira em um hospital. Como o espectador já sabe que essa é uma história de zumbis, é interessante perceber que todos os indícios da epidemia estão ali, mas a personagem principal não nota. Um paciente dela vai para a UTI após dar entrada com uma simples mordida na mão. Ao sair do hospital, ela cruza com uma outra paciente chegando com uma grande ferida no pescoço, possivelmente causada por dentes furiosos. Já no carro, ao ligar o rádio, ela prefere colocar uma música a ouvir as notícias que já trazem um cenário de estranhos casos de violência ocorrendo na cidade. E em casa, ela comete o erro fatal para quem é personagem de um filme de terror: fazer sexo. Na manhã seguinte, ela e o marido são acordados por uma garota da vizinhança que entra na casa para pedir açúcar para saciar sua fome de sangue. O marido de Ana é atacado, morre e vive novamente, partindo para cima dela. Ana consegue fugir da casa, entra no carro e e aí que Snyder mostra que é um ótimo diretor visual, pois a sequência em que ela sai do bairro é espetacular, mostrando um caos completo na região. Mas como não há situação que não possa piorar, Ana sofre um acidente após um confronto com um idiota-vivo e tem seu carro destruído. Passaram-se 13 minutos de filme e você já está fisgado.

Madrugada dos Mortos - Nerdflix2Sem rumo, Ana acaba encontrando outros sobreviventes: o policial Ken (Ving Rhames), Michael (Jake Weber) e o casal Andre (Mekhi Phifer) e Luda (Inna Korobkina), que inclusive está grávida. O grupo, sem ter como ficar perambulando por aí, resolve ir para o local mais propício para quem está desesperado: o shopping. Lá, eles encontram três vigilantes que não estão muito dispostos a fazer novas amizades, e depois acolhem também um outro grupo de sobreviventes, sendo um deles interpretado por Ty Burell, o Phil de Modern Family. Presos no shopping agora cercado por uma multidão de zumbis, sem ter notícias de fora ou esperanças de um possível resgate e fazendo amizade com um cara que está isolado em sua casa a poucos metros dali, o grupo passa os seus dias sem ter muita certeza sobre o que fazer em seguida, se é que algo a ser feito.

Madrugada dos Mortos - Nerdflix4Enquanto o Madrugada dos Mortos de Romero trazia várias críticas à sociedade, principalmente em relação ao consumo, o remake de Snyder deixa as reflexões de lado e foca mais na ação frenética, graças aos seus zumbis malucos. Aqui, os mortos-vivos se parecem muito com os infectados de Extermínio, ao contrário dos zumbis clássicos paradões de Romero, que são os utilizados em The Walking Dead, por exemplo. Os zumbis de Snyder correm, pulam, atacam, lutam… Uma nova roupagem para uma nova geração. Confesso que não tenho um tipo favorito, pois cada um apresenta uma dificuldade diferente. Enquanto os zumbis de Romero são uma massa lenta, mas poderosa e imparável, um único zumbi de Snyder que te avistar no final da rua pode correr e acabar com a sua vida. Não sei qual tipo eu gostaria de enfrentar na vida real (tenho O Guia de Sobrevivência a Zumbis, estou me preparando)…

Madrugada dos Mortos é um filme obrigatório para todo fã de zumbis. Se você é um jovem fã de The Walking Dead e gostaria de conhecer um pouco mais sobre a história dos “walkers”, confira o Madrugada na Netflix. Aliás, a Dona Universal nunca lançou-o aqui no Brasil em blu-ray e hoje nem mesmo o DVD é encontrado para venda (eu te-nho, você não te-em), então a Netflix é a opção certa para quem quer assisti-lo em alta qualidade, já que ele está disponível em Super HD. O ponto negativo é que a versão da Netflix é a de cinema, enquanto a versão do diretor contida no DVD possui nove minutos a mais, mas nada que atrapalhe a experiência. E como comparação ao estilo clássico de Romero, assista também a Dia dos Mortos (já falei sobre ele aqui), o único de zumbis do Romero que está na Netflix. A cultura zumbi já faz parte da história do cinema e Madrugada dos Mortos com certeza é um ponto fundamental nessa história. Liberte o zumbi que há em você e corra para assisti-lo!

Madrugada dos Mortos na Netflix: http://bit.ly/NerdflixMadrugada

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Tarcísio Silva
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Nerdflix #54 – Transcendence: A Revolução

Nerdflix #54 – Transcendence: A Revolução

Transcendence - Netflix2 Receita para um bom filme: Pegue uma boa ideia, de preferência fresca. Bata bem essa ideia até o roteiro ficar bem consistente. Escolha um chef competente para dirigir o trabalho e encontre uma boa cozinha onde ele possa ser produzido. Adicione os ingredientes que atuarão no projeto, levando em conta a química entre eles. Leve ao forno e observe o seu desempenho de perto, para o material não desandar. Quando ficar pronto, corte-o de forma a ficar bem editado e sirva-o. Sal a gosto. E NÃO É QUE TRANSCENDENCE ERROU EM TUDO, ATÉ NO SAL?

Transcendence: A Revolução é mais uma obra a chegar à Netflix antes mesmo do seu lançamento em home video, graças à parceria entre o serviço de streaming e a Paris Filmes, que já disponibilizou anteriormente outras produções pouco tempo após o seu lançamento nos cinemas. Transcendence estreou no Brasil no dia 19 de junho e era considerado um filme muito aguardado, por ser mais um dessa nova leva de ficções científicas que vêm sendo produzidas nos últimos anos. Vendo de longe, ele tinha muito potencial. Uma ideia bacana, que poderia ser bem explorada; um diretor novato, mas que teria uma forte influência do grande Christopher Nolan; ótimos nomes no elenco, incluindo Johnny Depp sem maquiagem… Mas tudo se perdeu, por culpa de todos esses fatores.

Transcendence - Netflix5Na trama, Johnny Depp interpreta Will Caster, um gênio da ciência e da informática que está desenvolvendo uma nova forma de inteligência artificial, que poderia revolucionar o mundo. Ele é apoiado por sua esposa Evelyn (Rebecca Hall) e pelo seu colega Max Waters (Paul Bettany, que teve um início de carreira tão bom, mas hoje só faz filme ruim), que também trabalham no projeto. Porém, um grupo terrorista liderado por Bree (Kate Mara, de House of Cards) promove um ataque a Will e a outras equipes que também estavam trabalhando em suas próprias inteligências artificiais. Mas já que no mundo do cinema todo mundo que atira contra o protagonista é vesgo, Will leva um tiro que chega a feri-lo, mas apenas de raspão. Porém, a mente brilhante por trás do grupo terrorista e do roteiro do filme já contava com essa possibilidade de erro (?!?!) e por isso foi inserido um veneno radioativo na bala (?!?!?!?!?!), o que condena Will a uma morte lenta durante as próximas semanas.

É então que vem o “tchan” do filme. De alguma forma (devo ter dormido na hora, ou o roteiro não explica mesmo), Evelyn descobre como um outro cientista resolveu um problema que todas as equipes estavam enfrentando: como desenvolver uma consciência para o sistema da inteligência artificial. A solução encontrada foi mapear a mente de um macaco e inserir tudo na máquina, praticamente transferindo a sua consciência para a IA. Já que o seu marido estava à beira da morte e partiria sem concluir o trabalho ao qual ele se dedicou a vida toda, Evelyn e Max criam uma forma de fazer esse mesmo procedimento para transferir a mente de Will para o sistema, antes de sua morte.

TRANSCENDENCEAté esse ponto, apesar de já ser ruim, o filme ainda desperta um certo interesse, por ter uma forte base na ciência, mesmo que seja uma pseudociência que ele mesmo criou e definiu para conduzir sua história. Sim, o procedimento dá certo e os dados da mente de Will passam a ser virtuais. Sim, Johnny Depp morre no filme (não é spoiler, praticamente só o corpo dele morre). Sim, há a insinuação de um triângulo amoroso envolvendo o trio, já que… Wait! Como assim, gente? Sério, tem uma cena em que Evelyn dá um beijinho de agradecimento em Max, o que o deixa até paralisado. Mas isso enquanto Will ainda está vivo, a poucos metros dali, morrendo aos poucos! Enfim, deixando esse aspecto Crepúsculo de lado, a partir do momento em que Will se manifesta no computador, ele se desenvolve cada vez mais a cada minuto. E é quando Will é conectado à internet que o mundo passa a correr um sério risco, pelo menos segundo o discurso dos terroristas, que nesse momento passam a ser os caras bonzinhos, que querem salvar o mundo de algo que nunca conseguimos entender muito bem.

Transcendence - Netflix4Por tudo isso que eu disse até agora, você pode estar com uma dúvida: onde está o erro do filme? Em tudo! O roteiro do estreante Jack Paglen é terrível, sendo expositivo demais e preocupado apenas com frases bonitas e filosóficas, sem criar diálogos realmente críveis e importantes. A direção do também estreante Wally Pfister, diretor de fotografia de quase todos os filme de Christopher Nolan, é muito fraca, pois ele também se preocupa mais em fazer cenas bonitas ao invés de práticas para o andamento do filme. E até o elenco está mal! Johnny Depp está com uma preguiiiiiiça, transformando Will em um personagem altamente entediante, o que faz com que o espectador não se importe com ele. Lembra que falei lá em cima que Transcendence errou até no sal? Pois é, Johnny Depp faz uma atuação totalmente sem sal, o que é péssimo para um protagonista. Rebeca Hall, Paul Bettany, Kate Mara e Cillian Murphy estão no piloto automático. Morgan Freeman também está cansativo, fazendo praticamente o mesmo papel que ele fez em Lucy. O ponto alto envolvendo o elenco é quando surge por poucos segundos em uma moto o garoto Sam Webb, o Drew Sharp de Breaking Bad (uma moto, um deserto, uma aranha, um trem, um “oi”, um “tchau”… Lembra?).

Mas o filme desanda de vez quando a base científica do roteiro é rasgada e jogada na sua cara e a história se transforma em uma fantasia maluca, talvez para satisfazer o desejo do diretor de captar imagens bonitas de nuvens, rios e chuvas, mas que não fazem nenhum sentido. Posso definir Transcendence como uma mistura entre Lucy, Ela, O Exterminador do Futuro, Watchmen e… Capitão Planeta. O filme tenta ser tanta coisa, tenta agradar tanta gente, tenta ser tão grande… Que por fim, falha miseravelmente em tudo. Raramente faço isso, mesmo quando o filme é horroroso, mas dessa vez me vejo obrigado a recomendar que você não assista a Transcendence. Não perca seu tempo. Não perca seus amigos convidando-os para um filminho no sábado à noite. Não coloque essa bomba na sua lista de assistidos. Mas se você já tiver visto o filme ou for teimoso e queira vê-lo mesmo assim, fique à vontade para comentar aqui o que você achou, com spoilers liberados. Assim podemos salvar a vida de outras pessoas, que podem ser ingênuas como nós a ponto de achar que Transcendence seja um filme minimamente bom.

Transcendence: A Revolução na Netflix: http://bit.ly/NerdflixTranscendence

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Nerdflix #53 – O Quarto do Pânico

Nerdflix #53 – O Quarto do Pânico

O Quarto do Pânico - Netflix3David Fincher é um diretor à prova de erros. Tudo o que o cara faz dá certo. Como um grande artista, ele é mais conhecido por suas maiores obras, como Seven (que incrivelmente foi o seu primeiro longa como diretor), Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button, A Rede Social e até House of Cards, onde ele atua como produtor da série e como diretor dos dois primeiros episódios. Mas há um outro excelente filme de Fincher que nem é tão aclamado, mas que foi um grande sucesso de crítica, bilheteria e locações (sdds reservar filmes na locadora pra pegar no sábado e devolver na segunda): O Quarto do Pânico. (more…)

Nerdflix #52 – Sin City

Nerdflix #52 – Sin City

Após nove anos da estreia do original, finalmente em 2014 chega aos cinemas “Sin City: A Dama Fatal”, sequência da obra de 2005 que marcou história no cinema. Na época, Sin City foi extremamente elogiado, a ponto de alcançar a média 8,2 no IMDB, o que o coloca no TOP 250 do site até hoje. Mas de lá pra cá, parece que os elogios diminuíram. Já vi gente até com uma certa vergonha de dizer que é fã da obra. Graças à Netflix, revi o filme ontem pela primeira vez após a minha ida ao cinema há quase dez anos. Minha visão sobre o filme realmente mudou. Mas ele continua espetacular.

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