Nerdflix #63 – Gamer

Nerdflix #63 – Gamer

Como eu fico triste quando vejo esse tipo de filme… Uma ideia tão legal! Uma temática tão interessante! Atores (alguns) tão bons! E uma execução tão fraca… Sendo uma mistura de The Running Man e Quero Ser John Malkovich, Gamer poderia ser um filmaço, com cenas de ação espetaculares e uma ótima reflexão sobre vida virtual, reality shows e manipulação mental. Mas infelizemente não é isso o que encontramos quando apertamos o START…

Gamer - Netflix4Gamer é uma filme americano de 2009, escrito e dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor, a mesma dupla responsável por Adrenalina e Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança. Ou seja, diretores de filme surtados, mas de qualidade bem duvidosa. Se eles têm uma mão razoavelmente boa para a ação – o que nem em Gamer funciona como deveria -, a condução da trama falha miseravelmente, já que poderíamos ter um filme muito mais profundo em vários aspectos, mas acabamos vendo uma obra rasa e cheia de falhas.

A expectativa de ver um produto de qualidade aumenta ainda mais quando vemos Gerard Butler, o eterno Leônidas, no papel principal. Pra completar, o elenco ainda conta com Michael C. Hall, na época em que Dexter ainda estava no auge, Logan Lerman um pouco antes de fazer Percy Jackson e Terry Crews, o pai do Chris! Mas nem isso salva o filme. Gerard Butler está muito bem, é claro, mas o personagem de Michael C. Hall, o vilão do filme, é incrivelmente péssimo, chegando a executar até mesmo um número de dança afetado em um momento crucial da trama. Até o Terry Crews dança no filme, gente, não dá pra levar uma coisa dessas a sério.

Gamer - Netflix2Como eu disse, a premissa de Gamer é muito boa! Em um futuro indeterminado, a tecnologia evoluiu a um ponto onde se tornou possível a implantação de um chip na cabeça de uma pessoa para que outro a controle. Com isso, foi criado o Society, um jogo ao estilo Second Life, mas com pessoas reais no lugar dos personagens, sendo controladas por “gordos granudos” como o filme, de forma até preconceituosa, retrata o perfil dos fãs desse tipo de jogo. Após o sucesso de Society, seus desenvolvedores criam o Slayer, um Call of Duty genérico onde os jogadores controlam pessoas de carne, osso e sangue em uma batalha sangrenta. E já que esse jogo obviamente resulta em muitas mortes, os avatares são todos criminosos condenados à pena de morte, tendo no game uma chance de sobreviver, pois se alguém vencer 30 rodadas, será considerado livre. Kable (Gerard Butler) é o mais famoso desses slayers, já que ele está quase alcançando sua 30ª vitória e, com isso, sua liberdade. Enquanto isso, sua esposa tem que trabalhar como “atriz” em Society – se sujeitando às coisas mais repugnantes – para conseguir pagar as contas e tentar recuperar a guarda da filha.

O problema é que com cinco minutos de filme já dá pra ver que ele vai decepcionar. A direção é muito, muito ruim, falhando em não conseguir algo tão essencial: nos colocar “dentro” do jogo, já que essa é a proposta da coisa toda. A impressão é que Gamer é um videoclipe de uma hora e meia, já que é tudo muito rápido, muito picotado, muito frenético… Só que isso tudo é exatamente o contrário do que temos em um game. Enquanto nos games temos uma ação intensa, mas sempre em um grande “plano sequência”, em Gamer creio que não há uma tomada que dure mais do que dez segundos sem um corte. O espectador simplesmente não consegue entender o que está acontecendo, o que mata o totalmente o clima que a ideia inicial cria.

Gamer - Netflix3Além disso, falta coerência ao trabalho como um todo. Enquanto vemos Gerard Butler levando o filme a sério, tentando dar uma certa profundidade ao seu personagem, os diretores fazem questão de transformar tudo em uma grande bobagem nonsense, inserindo personagens, piadas e situações que destoam totalmente do que estamos acompanhando. Some a isso furos de roteiro, resoluções patéticas, a atuação vergonhosa de vários atores – Milo Ventimiglia aparece durante dois minutos e você sente pena do cara – e temos como resultado um candidato a filme do ano se tornando uma decepção gigantesca, algo que te dá vontade apenas de fechar a Netflix e ligar o seu próprio vídeo-game, pra ter uma experiência melhor…

Gamer na Netflix: http://bit.ly/NerdflixGamer

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #62 – Os Fantasmas Se Divertem

Nerdflix #62 – Os Fantasmas Se Divertem

Beetlejuice - Netflix2Hoje, eu viajei no tempo. Nasci em 1988, mesmo ano do lançamento de Os Fantasmas Se Divertem. Portanto, o assisti na Sessão da Tarde milhares de vezes, além de ter até o VHS original em casa (acho que sou um nerd colecionador desde pequeno). Se você também se recorda de ter visto esse filme quando criança e quer receber um soco de nostalgia, diga “Besouro Suco” três vezes e dê o play no vídeo abaixo:

Beetlejuice - Netflix4Os Fantasmas Se Divertem (Beetlejuice, no original) foi o segundo filme dirigido por Tim Burton, um ano antes de Batman e dois antes do seu maior clássico, Edward Mãos de Tesoura. O incrível é que o seu estilo visual único já é totalmente perceptível, mesmo que esse ainda fosse o início de sua carreira. Ah, e se o filme fosse realizado alguns anos depois, provavelmente o Besouro Suco seria interpretado pelo Johnny Depp, mas quem ficou com o papel e deu vida a um dos maiores ícones da cultura pop foi Michael Keaton, que no ano seguinte repetiu a parceria com Tim Burton no primeiro filme do homem-morcego.

No filme, Tim Burton tem a oportunidade de expôr um conto de fantasia, como só ele sabe. Originalmente, a história seria um drama sobre um casal que tem dificuldades em se adaptar à “vida pós-morte”. Porém, o próprio Michael Keaton, ao dar o seu toque pessoal ao Beetlejuice, convenceu Tim Burton a fazer uma comédia de humor negro, o que fez com que o filme se tornasse o clássico que é.

Beetlejuice - Netflix5Alec Baldwin (sim, ele já foi magro) e Geena Davis são Adam e Barbara Maitland, um casal feliz que vive tranquilamente em uma grande casa de uma cidadezinha pequena. Um belo dia, eles saem de carro e sofrem um acidente um tanto quanto bobo, mas que acaba tirando suas vidas. Porém, ao invés de irem para o céu ou para o inferno, eles acabam presos na casa, como aqueles espíritos que dizem que assombram alguns lugares. Tirando o fato de que eles encontram um monstro gigante sempre que tentam sair de casa, a vida/morte deles ia bem, até que uma família se muda para a casa, mudando totalmente a rotina dos pobres fantasmas. Sem saber o que fazer e sem entender uma única palavra do Manual Para Falecidos Recentemente, o casal tenta expulsar essa nova família da casa com a ajuda de Besouro Suco, um ser que um dia já foi um trabalhador no burocrático pós-morte, mas que hoje se apresenta como um “exorcista freelancer”, mais disposto a ser o rei da zoeira do que a ajudar alguém.

Fantasmas tirando o próprio rosto, insultos de “pega aqui”, rituais de contato com os mortos, cigarros… Tim Burton teve a ousadia e a liberdade de colocar tudo isso em um filme que era exibido à tarde, na TV. Isso faz de Os Fantasmas Se Divertem um filme inesquecível e impossível de ser repetido hoje em dia. Era outra época. Eram outras piadas. Eram outras espectadores, com outra cabeça. Digo até que era outro Tim Burton, muito mais criativo do que hoje. Mas o lado bom é que agora não precisamos mais esperar para que o filme que tanto gostamos seja exibido na TV. Para que possamos revê-lo, basta ligar a Netflix. Ou tentar dizer o seu nome três vezes. Vai que dá certo?

Os Fantasmas se Divertem na Netflix: http://bit.ly/NerdflixBeetlejuice

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #61 – A Pele Que Habito

Nerdflix #61 – A Pele Que Habito

Começo esse texto falando sobre spoilers. Sendo bem extremista, há quem perca fios de cabelo quando ouve qualquer revelação sobre qualquer filme (eu) e há quem não se importe nada, que diz que o que vale é o ato de assistir ao filme, mesmo já sabendo o final. Porém, o que esse segundo grupo de pessoas deve entender é que algumas obras dependem desse segredo para serem apreciadas. Em alguns filmes, um detalhe bobo que conste na sinopse oficial já pode afetar a forma como você enxerga os personagens, já que você terá um conceito pré-estabelecido sobre determinada situação. E hoje tenho a missão de falar com vocês sobre um desses filmes sobre os quais nada pode ser dito…

A Pele Que Habito - Netflix3Falando beeeeem por cima: A Pele Que Habito nos apresenta Robert Ledgard (Antonio Banderas), um cirurgião plástico renomado que está fazendo secretamente em sua própria casa experimentos sobre a pele em um ser humano, a bela Vera Cruz (Elena Anaya). Por que ele está fazendo esses experimentos? Por que ele a mantém presa em sua casa? Por que Vera aceita ser o objeto das experiências de Robert? Com poucos minutos de filme, essas são as perguntas que ficam martelando em sua mente. E não pode haver indícios sobre nenhuma de suas respostas, para que a sua experiência como espectador não seja afetada.

Porém, algumas coisas você pode saber sobre o filme. A Pele Que Habito é mais uma obra de Pedro Almodóvar. Sendo assim, você pode esperar reflexões sobre amor, sexo, obsessão, medo, dúvidas… Tudo isso amarrado pelas mãos brilhantes de Almodóvar, fazendo de A Pele Que Habito algo inesquecível, com traições, vinganças, crimes…

A Pele Que Habito - Netflix2Mas, acima de tudo, A Pele Que Habito é um filme sobre… pele! Costumamos dizer que algumas pessoas são “mascaradas”, quando queremos indicar algum tipo de falsidade ou hipocrisia delas. Almodóvar nos mostra algo que vai além. Tirar uma máscara é relativamente fácil, tanto que há até a expressão “cair a máscara” para ilustrar a situação de alguém tendo algo revelado. Mas não há expressões referindo-se à retirada da pele, há apenas sobre o seu uso com o intuito de disfarce: “o lobo em pele de cordeiro”. Essa é a frase que define bem sobre o que é o filme. Resta saber quem é o lobo e até onde ele é capaz de chegar.

A Pele Que Habito na Netflix: http://bit.ly/NerdflixPeleQueHabito

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #60 – O Segredo da Cabana

Nerdflix #60 – O Segredo da Cabana

O Segredo da Cabana - Netflix2Hoje falarei sobre dois filmes. Um é sobre adolescentes estereotipados que se metem em uma cabana no meio do mato e começam a morrer. O outro é sobre uma empresa muito louca, onde os funcionários comemoram a morte de inocentes com tequila. Um é um show de clichês. O outro é um show de originalidade. Os dois são um só. E é essa mistura que faz de O Segredo da Cabana um filme imperdível.

O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods) é um filme de 2012, escrito por ninguém menos do que Joss Whedon, criador de Buffy e diretor de Os Vingadores. A ligação com os heróis da Marvel não para por aí, já que “Cabana” também conta com a presença de Chris Hemsworth, o Thor, no elenco. Se para o nerd isso já poderia causar alguma curiosidade que o atiçasse a ver o filme, o fato de ele ser uma nova visão sobre todas as obras de terror que envolvem jovens encontrando o mal em um floresta sombria é o motivo definitivo para você reunir os amigos, abrir a Netflix e se divertir muito num sábado à noite.

O Segredo da Cabana - Netflix5Mais do que uma história de terror ou uma comédia corporativa, O Segredo da Cabana é um exercício de metalinguagem, brincando com tudo o que conhecemos em nossa trajetória como fãs de horror. Assisti-lo sem ter ideia do que se trata é uma experiência ainda melhor (foi o que aconteceu comigo), mas como a brincadeira é apresentada logo no início, não chega a ser spoiler comentar sobre parte desse segredo. Sim, você pode parar o texto por aqui mesmo e ir assistir ao filme enquanto não sabe de nada, mas posso te dar mais motivos para vê-lo, caso a nossa equipe de química ainda não o tenha incentivado da maneira correta.

A história “básica” de O Segredo Cabana acompanha um grupo de cinco amigos que parte para um final de semana em um cabana isolada de tudo, com o objetivo de nadar no lago, jogar verdade ou desafio, encher a cara, usar drogas, transar… Enfim, coisas típicas de jovens em filmes do gênero. O grupo é formado por todos os estereótipos que podemos esperar: há a mocinha principal, linda, linda, mas ainda virgem; a amiga da mocinha, que é a gostosa que só pensa naquilo; o namorado da gostosa, que é o galã alto, forte e tapado; o primo aleatório do namorado da gostosa, que é claro que vai dar em cima da personagem principal; e não poderia faltar o amigo maconheiro, o único que consegue enxergar as coisas com lucidez. Quando chega a noite, após um pouco de álcool, maconha e beijos, o grupo encontra o porão da cabana, um local abarrotado de coisas velhas e sinistras. É claro que há um livro esquecido no local. É claro que é o diário de alguém que morreu após um encontro com coisas malignas. É claro que há inscrições em latim. É claro que alguém lê essas palavras em voz alta. E é óbvio que isso desperta mortos-vivos psicopatas que começam a perseguir o grupo.

O Segredo da Cabana - Netflix4Enquanto isso, acompanhamos uma outra trama se desenrolando. Sitterson e Hadley são dois funcionários de uma mega corporação que está operando a mil em torno de uma operação secreta que está em andamento. Em uma sala com dezenas de monitores e centenas de botões, os dois exercem o seu trabalho como se fosse uma coisa comum e rotineira, manipulando sentimentos, emoções, comportamentos e demais situações que acontecem em outro local: uma cabana isolada no meio da floresta, onde cinco jovens estão se divertindo, até o momento em que encontram o tal livro no porão.

Sim, tudo o que acontece com o grupo desafortunado é orquestrado e manipulado por essa corporação, por um motivo que não compreendemos a princípio (esse sim é o verdadeiro “Segredo da Cabana”, por isso disse que não seria spoiler comentar sobre a corporação por trás dos acontecimentos). Eles se envolvem em tudo, desde a abertura da porta do porão para atrai-los ao cômodo sombrio, até mesmo liberando componentes químicos que os induzem a uma série de comportamentos imprudentes. Se você viu Jogos Vorazes, imagine que a região da Cabana seja como a arena onde ocorrem os Jogos, com controladores tendo total liberdade de interferir em tudo o que acontece lá dentro. Na verdade, O Segredo da Cabana pode ser definido como uma mistura entre Evil Dead, Jogos Vorazes e Cubo, com uma pitada de humor negro que deixa tudo ainda mais interessante.

O Segredo da Cabana - Netflix3Não veja O Segredo da Cabana achando que encontrará um filme de terror sangrento e assustador. Também não o veja achando que encontrará uma comédia escrachada. Assista ao filme sem esperar nada, mas pronto para receber uma obra extremamente original sobre um tema tão batido. Se você curtir, recomendo que veja também Tucker e Dale Contra o Mal, outro filme que brinca com esses clichês de maneira brilhante. E recomende aqui nos comentários outras obras do tipo que você conheça. Em uma época em que pouca coisa realmente original é apresentada, filmes como O Segredo da Cabana têm que ser vistos e compartilhados. Só não conte o segredo pra ninguém. Não estrague o final desse filme tão clichê e tão criativo.

O Segredo da Cabana na Netflix: http://bit.ly/NerdflixSegredoCabana

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #59 – Jogos Vorazes: Em Chamas

Nerdflix #59 – Jogos Vorazes: Em Chamas

Nunca o título de um filme refletiu tão bem a sua própria intensidade. Jogos Vorazes – Em Chamas é realmente isso: um filme “on fire”, como sua protagonista é conhecida pelo público da Capital. Capital essa que começa a ver o poder do povo, aquele gigante que finalmente está acordando, seguindo um Tordo que nem sequer escolheu aceitar ou rejeitar esse papel. #VemPraArena. Venha para a melhor saga literária em atividade nos cinemas. Venha ver a Jennifer Lawrence. Venha incendiar-se antes de experimentar um fio de Esperança.

Em Chamas - Netflix3Jogos Vorazes, em 2012, foi um sucesso absurdo. Por mais que a base de fãs dos livros já fosse considerável, a saga era totalmente desconhecida do grande público. E mesmo longe de ser um filme perfeito, ele cumpriu brilhantemente o seu papel, entregando uma obra com cara de pop, mas com muita profundidade, capaz de causar reflexões maduras, em uma época de enlatados vazios que só querem sua grana (todos querem, mas muitos nem sequer entregam algo bom em troca). Se você ainda não viu o primeiro filme, pare agora mesmo, porque não dá pra falar de Em Chamas sem dar spoilers de Jogos Vorazes. Leia o texto que já publicamos aqui no Nerdflix, veja o filme, vire fã e só depois siga para o próximo parágrafo.

Após “ganharem” a 74ª edição anual dos Jogos Vorazes, Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) voltam para o Distrito 12, mas isso não significa que a vida deles esteja em paz. Já que o que os salvou nos Jogos foi o drama dos amantes desafortunados, eles agora devem manter essa imagem, para continuar impressionando o pessoal da Capital. Isso significa que eles deverão passar por todos os distritos na Turnê da Vitória mostrando o quanto são felizes e gratos à Capital pela vida que levam. Mas é claro que tudo isso é apenas uma fachada. Peeta até que gostaria de viver essa realidade com Katniss, mas a garota em chamas tem seu coração queimando mesmo por Gale (Liam Hemsworth, o eterno irmão do Thor), com quem ela nunca poderá ter um romance de verdade, limitando-se a beijos em becos escondidos. Além disso, Katniss dá sinais de que ainda está perturbada com os assassinatos que teve que cometer nos Jogos passados, o que só reforça que ela é uma garota comum, frágil e vulnerável, não uma heroína disposta a salvar o mundo, como muitos a enxergam.

Em Chamas - Netflix2Em Chamas é o capítulo mais revoltante da série Jogos Vorazes. Desde o início, quando vemos como o casal deve fingir uma alegria que não existe só porque são forçados a isso, o ódio do espectador/leitor contra a Capital é atiçado e constantemente reinflamado, te deixando realmente pegando fogo de raiva contra tudo o que acontece. Durante a Turnê da Vitória, por exemplo, vemos que as pessoas dos outros distritos veem Katniss como o símbolo de uma revolução, por consequência dos seus atos durante os Jogos. Porém, sempre que alguém expressa a sua opinião a esse respeito, os Pacificadores (a polícia da Capital) logo tratam de combater os manifestantes, chegando a matar friamente pessoas em público, apenas para servir de exemplo para os demais.

Se tudo isso já não bastasse, a Capital dá mais um duro golpe em Katniss e Peeta. A cada 25 edições, é realizado o Massacre Quaternário, uma edição especial dos Jogos Vorazes, com regras diferenciadas. Dessa vez, justamente para combater a imagem de Katniss, as regras determinam que os 24 participantes da 75ª edição dos Jogos serão escolhidos dentre os antigos vitoriosos, o que acaba recolocando o casal na batalha. Por se tratar de um time de campeões, dessa vez não teremos um bando de crianças assustadas na Arena, mas sim um grupo de pessoas maduras, com personalidades fortes e altamente perigosas, é claro. E essa adição é uma sacada de gênio, pois traz para a trama novos personagens fantásticos, como a bela e misteriosa Johanna Mason, o carismático Finnick Odair, o mega inteligente Beete, a doce velhinha Mags, além de um novo organizador dos Jogos, Plutarch Heavensbee (interpretado pelo saudoso Philip Seymour Hoffman). Após um fato extremamente chocante, os Jogos finalmente começam e Katniss logo percebe que algo muito estranho envolve tudo o que está acontecendo na Arena, desde as armadilhas mortais que atingem os participantes, até as alianças que vão sendo formadas, com objetivos não muito claros para ela, mas que mudarão completamente os rumos da história de Panem.

Em Chamas - Netflix4Além da trama de Em Chamas ser melhor e mais complexa do que a do primeiro filme, a produção também está mais eficiente. Sai a câmera tremida do diretor Gary Ross, que incomodava muito em Jogos Vorazes, e entra a habilidade de criar tensão de Francis Lawrence, diretor de Constantine e Eu Sou a Lenda. Jennifer Lawrence está mais segura como Katniss Everdeen, Donald Sutherland está ainda mais repugnante como o Presidente Snow, Woody Harrelson e Elizabeth Banks estão mais profundos como Haymitch e Effie… Tudo está “mais” nessa continuação. Mais atores, mais dinheiro, mais tensão e um sucesso cada vez maior.

Nessa semana, chega aos cinemas o terceiro filme da franquia, A Esperança. Considerando os resultados da pré-venda, será um novo sucesso, apesar de que tudo indica que ele não será tão intenso quanto Em Chamas, pois o próprio livro tem esse ritmo mais parado, principalmente na sua primeira metade. A Esperança deverá ser um filme mais cabeça, absorvendo tudo o que aconteceu no incendiário capítulo anterior e preparando os fãs para o desfecho épico da trama, que chegará em 2015. Aproveite o final de semana para rever Jogos Vorazes e Em Chamas na Netflix, compre o seu ingresso para A Esperança de forma antecipada (nem tente ir ao cinema no feriado do dia 20 achando que vai encontrar ingressos na hora) e junte-se à revolução. Se na vida real é difícil mudar as coisas para melhor, pelo menos na ficção encontramos essa fagulha que nos deixa mais atentos a tudo de ruim que acontece ao nosso redor e nos dá essa esperança de que é possível vencer no final, mesmo que pareça que a sorte não esteja sempre a nosso favor…

Jogos Vorazes – Em Chamas na Netflix: http://bit.ly/NerdflixEmChamas

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #58 – Insônia

Nerdflix #58 – Insônia

Insomnia USA (2)Dormir é bom, não é mesmo? Se com a nossa rotina de trabalhar e estudar já ficamos exaustos ao final do dia, imagine se você fosse um policial tentando solucionar um crime (e acobertar outro que você mesmo cometeu) em uma cidade onde o Sol nunca se põe. Pior, imagine que você seja o Al Pacino, que naturalmente já tem cara de quem precisa dormir um pouco… Agora imagine passar por tudo isso enquanto você sofre de Insônia!

Em 2002, três anos antes de Batman Begins, o londrino Christopher Nolan dirigiu Insônia, o seu terceiro longa metragem. Antes disso, ele tinha feito Following (que ninguém viu) e o excepcional Amnésia. A curiosidade é que Insônia não é um filme original e sim a refilmagem de um filme sueco de 1997, com Stellan Skarsgård. Mesmo assim, Nolan conseguiu dar o seu toque pessoal à produção, sendo possível reconhecer facilmente o seu estilo único em tela, agora que já estamos familiarizados com o seu trabalho.

insomnia3A trama gira em torno do policial Will Dormer, que sai de Los Angeles rumo a uma cidadezinha do Alasca para investigar o assassinato de uma jovem junto com o seu parceiro, Hap. Durante uma emboscada a um suspeito em meio a uma forte neblina, Will acidentalmente atira e mata Hap. Como havia muitos segredos entre os dois, o que já estava gerando um conflito na parceria, Will decide acobertar o seu crime, jogando a culpa no suspeito que fugira. O problema é que esse suspeito viu tudo e agora está colocando Will contra a parede, ameaçando revelar o que sabe. A velha história do assassino maluco que gosta de brincar perigosamente com o homem da lei…

Assim como em A Origem e O Grande Truque, Nolan utiliza em Insônia um recurso que eu acho fantástico: a inserção de pequenos flashbacks que se repetem durante todo o filme, te deixando maluco pra descobrir o que diabo é aquilo. E considerando que o personagem principal de Insônia, interpretado por Al Pacino, é um homem cheio de segredos, a curiosidade aguçada ao ver essas imagens chega a ser angustiante, te prendendo no filme.

insomnia_2002_1920x1280_787581Pena que o trabalho em geral não é tão bem feito, na minha opinião. Apesar de se chamar Insônia, o filme pode, sim, fazer você dormir um pouco. O ritmo não é ruim, mas também não é perfeito. O mesmo vale pras atuações e pra direção do Nolan. O que se destaca é mesmo o roteiro, apesar de eu achar o final meio bobo…

Mesmo com esses problemas, Insônia é um filme que deve ser visto. Nessa semana em que chega aos cinemas brasileiros a obra mais recente de Nolan, Interestelar, é muito legal visitar o seu passado, analisando como o seu trabalho evoluiu com o passar dos anos. Apesar de alguns pequenos tropeços (TDKR), Nolan é um cara que raramente ~dorme no ponto~. 😀

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Tarcísio Silva
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