Nerdflix #74 – Os Estranhos

Nerdflix #74 – Os Estranhos

Ao escolher Os Estranhos como o tema do Nerdflix dessa semana, pensei em fazer uma crítica diferente. Nunca tinha visto o filme e sempre gostei desse tipo de suspense mais real, que te deixa apavorado por pensar que aquilo poderia acontecer com você mesmo. Ou seja, a combinação perfeita para uma ótima sessão de pânico numa quarta-feira à noite. Foi então que tive a ideia: dividiria o meu texto em blocos, de acordo com o nível de tensão que o filme causasse em mim, ao longo dos seus curtos 86 minutos de duração. Como eu fui ingênuo. Ainda dividirei a crítica em blocos. Mas medindo o nível de outra coisa…

60% de sono, mas bem empolgado

Confesso que já estava com um pouco de sono quando abri a Netflix e dei play em Os Estranhos, mas nada muito fora do normal (acho que o meu padrão durante o dia fica em torno de 40%), já que estava prestes a ver um filme que eu queria muito ter visto desde a época de seu lançamento, mas acabei ignorando. Sempre gostei de ver a Liv Tyler – ( ͡° ͜ʖ ͡°) – e lembro que o trailer de Os Estranhos me deixava muito curioso e apavorado com aquela situação. Basicamente, a trama relata uma noite de terror vivida por um casal que tem a sua casa, que fica no meio do nada, invadida por três estranhos. A história é levemente inspirada em algo que aconteceu na infância do diretor Bryan Bertino, realizando aqui o seu primeiro longa metragem.

50% de sono e curtindo muito

O filme começa muito bem. A cena inicial se passa durante a manhã do dia seguinte aos acontecimentos, quando dois garotos notam que há algo de errado e entram na casa, encontrando muita bagunça e muito sangue. BUM, curiosidade e expectativa para o alto e nível de sono para baixo. Em seguida, uma cena digna de palmas. Vemos o casal interpretado por Liv Tyler e Scott Speedman no carro, em um silêncio quase palpável, indicando que algo não vai muito bem entre eles. Um close em Liv e vemos marcas de lágrimas que escorreram pelo seu rosto. Brilhante. O ponto alto do filme. Tinham se passado menos de dois minutos.

Vem a decepção, e o sono chega a 80%

Desse ponto em diante, só me desapontei com as decisões do diretor, tirando-me totalmente do clima do filme. Colocar um flashback só pra mostrar mais ou menos o que motivou a tristeza do casal foi claramente um artifício para acrescentar alguns minutos a maia ao filme. Planos longos e sequências sem ritmo servem para o mesmo propósito. Acompanhamos por mais de 20 minutos o casal em clima de fossa, em uma DR sem nem sequer diálogos interessantes. Mas o problema é que qualquer um sabe que durante o filme o amor vai voltar e eles passarão a se importar um com o outro novamente, então é difícil levar essa enrolação a sério. Ah, e temos uma cena 50 Tons de Cinza que começa boa, mas acaba rápido. 😛

O ataque começa. E o sono aumenta para 95%

Quando finalmente começa a surgir o trio de malucos que invadirão a casa, a tensão realmente fica legal. Mas aí está o maior problema do filme, para mim. Você não consegue enxergar um objetivo em tudo aquilo e não dá para acreditar em determinadas cenas em que os vilões mascarados aparecem só pra dar um susto no espectador, não na personagem. Sério, isso é muito irritante! O personagem está alheio ao que está acontecendo, não está vendo nada, mas o diretor faz com que a ameaça surja em um local totalmente desnecessário e aumenta o volume da trilha apenas para… assustar o espectador. Ou seja, estamos realmente acompanhando um filme, no qual os vilões sabem onde está a câmera e dirigem os seus sustos a ela. Não dá pra entrar no clima da trama desse jeito…

Os vilões brincam de esconde-esconde. Eu durmo

O diretor de Os Estranhos também não consegue definir o que são os vilões. Em teoria, são três pessoas loucas. Porém, na prática filmada, todos são descendentes de Jason Voorhees. Em um momento, eles estão perseguindo o casal. Segundos depois, após um corte de câmera, eles já não estão mais lá. ME EXPLIQUE ISSO! Uma coisa é a pessoa sumir do enquadramento, outra bem diferente é ela sumir de vista em questão de segundos! Quando isso acontece, eu só imagino que o bandidão malvado esperou a mocinha olhar para outro lado, saiu correndo e ficou escondido atrás de uma árvore, de ladinho. Poxa, Bryan Bertino, é por isso que você não fez mais nada relevante depois desse filme, parça! Pelo menos há uma morte nessa parte do filme. Uma morte que, ao invés de chocar o espectador, causa uma risada involuntária. Pra piorar, o trio brinca de esconde-esconde pela casa toda, parecendo a galera do Scooby Doo. Saem por uma porta, entram pela outra. Estão lá fora, de repente estão em um cômodo do lado de dentro. Dormi, gente, desculpa…

Um novo dia, uma nova chance, a mesma certeza

No dia seguinte, resolvi terminar de vê-lo, pois não seria correto com os leitores do NdF se eu fizesse um texto sem assistir ao filme por completo. Pensei que talvez eu não tivesse gostado dele no dia anterior por já estar com um sono considerável desde o começo. Mas não, meus amigos, Os Estranhos continua péssimo. Mesmo no clímax, que é quando você imagina que “agora vai”, não vai. É tudo muito vazio, muito superficial. Pra coroar um dos piores suspenses que eu já tive o desprazer de ver, a cena final é de uma estupidez sem tamanho, totalmente sem necessidade e sem fundamento.

Ainda quer ver Os Estranhos? Pause após uns três minutos. Você terá o final do filme, com a cena dos garotos encontrando tudo, e o começo, com o casal silencioso chegando de carro. O resto é só imaginar. Com certeza o resultado será melhor.

Os Estranhos na Netflix: http://bit.ly/OsEstranhosNerdflix

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

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