Nerdflix #73 – Onde Os Fracos Não Têm Vez

Nerdflix #73 – Onde Os Fracos Não Têm Vez

Onde os fracos não têm vez - Netflix4Estamos na semana do Oscar 2015 (pelo menos estávamos quando o post foi publicado :P). E nesse ano, percebo que se repetirá um curioso e de certa forma triste fenômeno: nenhum dos indicados a melhor filme, provavelmente nem mesmo o vencedor, entrará para a história como um dos grandes filmes do cinema. Birdman não agrada a todos. Boyhood é uma belíssima obra, mas acho será lembrado mais pelo seu longo tempo de produção, do que pelo filme em si. O Grande Hotel Budapeste é quase um cult. E é isso, não temos nem mesmo um Gravidade esse ano, que mesmo sem ter vencido já tem um lugar marcado no panteão da sétima arte. Por esse motivo, decidi falar sobre um outro vencedor do Oscar de melhor filme que muitos já esqueceram ou nem sequer o conheceram.

Onde Os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men) foi lançado em 2007 e levou para casa quatro estatuetas no Oscar 2008: melhor roteiro e melhor direção para os irmãos Joel e Ethan Coen, melhor ator coadjuvante para o monstro maluco Javier Bardem e melhor filme. Na época, ele concorreu com o grande Sangue Negro, o fraco Desejo e Reparação, o comecei-a-ver-e-parei Conduta de Risco e o adorável Juno. Pra mim, Ratatouille foi o melhor filme do ano e Glen Hansard e Markéta Irglová cantando Falling Slowly marcou um dos melhores momentos da história do Oscar. Mas ainda assim, digo que o prêmio para Onde Os Fracos Não Têm Vez foi merecido, pois dentre os cinco indicados à categoria principal, ele foi realmente o mais competente e, principalmente, o mais ousado deles!

Onde os fracos não têm vez - Netflix5Os irmãos Coen, como já provaram antes em Fargo, sabem como contar uma história! Ou melhor, sabem como criar uma lenda! Llewelyn Moss (Josh “Thanos” Brolin) é um típico habitante do Texas dos anos 80, que passa os seus dias caçando tranquilamente animais inocentes no deserto. Certo dia, ele encontra um local com vários mamíferos perigosos mortos. Traficantes, no caso. Seguindo a trilha de um deles, que só conseguiu sobreviver a tempo de encontrar uma sombra, Llewelyn encontra uma mala com dois milhões de dólares. Tudo bem, tudo legal, mas por pouco tempo. Anton Chigurh (esse filme tem os melhores nomes de personagens), interpretado de maneira magnífica por Javier Bardem, é um assassino loucaço que está atrás dessa grana, acumulando pelo caminho cadáveres e maçanetas estraçalhados pela força do ar. Calma, ele não tem uma seta azul na cabeça e sim uma pistola de ar comprimido, uma das melhores armas já criadas para um vilão.

Onde os fracos não têm vez - Netflix3Pronto, temos o conflito do filme! É claro que também há mais alguns capangas e até o Woody Harrelson perseguindo Llewelyn, além do Tommy Lee Jones investigando tudo, mas o duelo mesmo é entre ele e Chigurh, dois personagens completamente opostos, o que aumenta ainda mais a tensão. Llewelyn é um cara duro, intenso, porradeiro, mas ainda assim é um cara normal, que só entrou nessa por causa do dinheiro que encontrou. Já Anton Chigurh é frio, calculista, aparentemente incapaz de sentir qualquer tipo de emoção, exceto o prazer ao matar alguém. Durante todo o filme, aguardamos ansiosos e tensos o momento do confronto final entre os dois personagens, assim como aguardamos durante várias temporadas o confronto  final entre Walter White e Gus Fring. Em Breaking Bad, o “face off” entre os dois acaba não acontecendo de uma forma direta, frente a frente. Em Onde Os Fracos Não Têm Vez…

Seria spoiler falar qualquer coisa referente a esse duelo ou ao ato final do filme, mas posso dizer que esse último trecho é o que faz de Onde Os Fracos Não Têm Vez uma obra única, diferente do convencional. Porém, o que é o grande trunfo do filme também é o seu ponto fraco para muitas pessoas, que podem se sentir frustradas quando surgirem os créditos finais. Para mim, a conclusão da trama apenas reforça a ideia da construção de uma lenda, que sempre tem alguns trechos ocultos, digamos assim. Mas também entendo quem reclama desse ponto, já que uma surpresa que deixe o espectador decepcionado nem sempre é bem aceita.

Onde os fracos não têm vez - Netflix2E talvez seja justamente por isso que Onde Os Fracos Não Têm Vez não tenha se propagado tanto quanto deveria, sendo um filme ganhador do Oscar. De certa forma, é até bom você já assistir ao filme com esse leve spoiler sobre a construção da trama, sabendo que algo fora do comum o aguarda no terceiro ato. Creio que assim você poderá gostar ou não do resultado, mas pelo menos não ficará frustrado ou se sentindo “enganado”, como vi algumas pessoas relatando na época. O cinema é um local onde os criativos devem ter vez sem medo de inovar e cabe a você dar essa chance e participar da experiência. Se não curtir, é só dar play no Ratatouille depois. 😉

Onde Os Fracos Não Têm Vez na Netflix: http://bit.ly/OndeOsFracosNerdflix

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

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