Nerdflix #69 – Fargo

Nerdflix #69 – Fargo

Nenhuma situação está tão ruim que não possa piorar, não é mesmo? E nenhum filme acerta tanto ao retratar isso como Fargo – Uma comédia de erros.

fargo-netlix4Você provavelmente já ouviu falar de Fargo em sua vida nerd. Por ser um clássico dos irmão Coen, eu já tinha ouvido muitos bons comentários sobre o filme. Quando ele entrou no catálogo da Netflix, coloquei-o na minha lista imediatamente e lá ele ficou. Porém, após a série Fargo, derivada do filme, ganhar o Globo de Ouro, eu não podia mais adiar. Vi Fargo. Corrigi esse erro. E conheci um dos filmes mais criativos e divertidos a que já assisti.

O longa foi lançado em 1996, escrito e dirigido por Joel e Ethan Coen. Quando digo “escrito”, significa que ele foi criado do zero pelos irmãos, ao contrário do que eles mesmos afirmam no início do filme, quando dizem que os acontecimentos foram baseados em uma história real. Aliás, me desculpe por estragar essa surpresa, porque eu só fiquei sabendo disso após ter acompanhado boquiaberto os acontecimentos da trama, quase sem acreditar que aquilo tinha acontecido de verdade. E o fato de você assistir ao filme tentando levá-lo a sério dá um outro tom à obra, parecido com o efeito que temos quando vemos Bruxa de Blair e queremos acreditar que é tudo real, mesmo sabendo que hoje todos estão bem (e sumidos das telonas).

fargo-netflix2Em Fargo, vemos um simples e tolo plano criminoso sendo colocado em prática da pior maneira possível. Jerry (William H. Macy) é um cara comum, gente como a gente, que leva a sua vidinha pacata e endividada em uma gelada cidadezinha americana. Certo dia, ele encontra a solução para os seus problemas financeiros: sequestrar a sua esposa, para ficar com o resgate pago pelo pai dela (afinal, trabalhar é para os fracos). Para isso, ele contrata dois ~bandidões~ (Steve Buscemi e Peter Stormare) que farão o trabalho sujo e serão recompensados com um carro e metade do dinheiro. Até aí “”””tudo bem””””, só que tudo o que poderia dar errado… Dá errado.

Calma, não espere ver dois bandidos bobões caindo em armadilhas de crianças ou batendo a cabeça em postes durante uma perseguição. Fargo não é esse tipo de comédia. Pra começar, o primeiro erro cometido é o assassinato de três inocentes em uma estrada durante a noite, com direito a banho de sangue e tudo mais. Para investigar os homicídios, entra em cena a delegada grávida Marge Gunderson (uma interpretação fantástica de Frances McDormand, que rendeu a ela o Oscar de melhor atriz), praticamente a personagem principal da história, mesmo aparecendo com 33 minutos de filme.

fargo-netflix3Fargo é um daqueles filmes que podem ser considerados perfeitos, já que sobra competência em todos os aspectos da obra. O roteiro, sem dúvidas, é um dos mais inteligentes que já vi. A direção, mesmo sendo conduzida em dupla, é impecável. E as atuações… São simplesmente espetaculares! William H. Macy é o perfeito cara inseguro e desesperado que não sabe como agir quando entra no mundo do crime. Peter Stormare é o surtado mais surtado que você pode esperar. Steve Buscemi é incrível como o bandido que se acha o inteligente da dupla, parece que o papel foi feito pra ele e ele foi feito para o papel. E Frances McDormand ganhou o Oscar pelo filme, então nem preciso dizer mais nada.

Todos esses maravilhosos acertos conseguem formar a obra perfeita sobre erros! E são erros que acontecem naturalmente, não há nenhuma situação forçada na trama, por isso Fargo consegue ser uma obra tão boa de ser apreciada, tanto como uma excelente comédia, quanto como um exercício de comparação, pra você entender que a sua vida não está tão errada assim…

Fargo na Netflix: http://bit.ly/NerdflixFargo

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #68 – Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

Nerdflix #68 – Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

Primeiramente, bom dia. Segundamente, sim, eu gostei de Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário. Terceiramente, sim, o filme é bem ruim. Quartamente, nunca use esses termos numerados, exceto em memes e piadas, ok? 🙂

Cavaleiros-do-Zodíaco-02Saint Seiya fez parte da minha vida. Ele e Dragon Ball são os meus animes favoritos (não me obriguem a escolher o melhor), com grandes sagas, grandes episódios, grandes histórias, grandes vilões e, principalmente, grandes heróis. Tudo tão grandioso, que simplesmente não dá pra ser inserido em uma trama curta, como um filme de 93 minutos.

Não coloquei Dragon Ball na conversa à toa. CdZ chegou aos cinemas em 2014, mas em 2013 também tivemos a chance de ver um desenho da nossa infância nas telonas, então a comparação é inevitável. Mesmo sendo menor que A Lenda do Santuário, com apenas 85 minutos, A Batalha dos Deuses conseguiu ser um filme muito mais competente. Dragon Ball apresentou uma história que poderia ser exibida tranquilamente na nossa época, em um especial da TV Globinho. Afinal, A Batalha dos Deuses não quis redefinir, nem resumir nada. Eles apenas nos deram uma aventura à parte, se passando após os acontecimentos de DBZ. Foi praticamente um grande episódio da série, exibido no cinema. E foi ótimo.

saori-660x330Já CdZ foi para o caminho errado. A intenção era homenagear os 40 anos de carreira de Masami Kurumada, o criador da coisa toda. Se Saint Seiya é a sua maior obra e a saga das Doze Casas é a melhor de todas, nada melhor do que usá-lá como base para esse filme, certo? Errado! Nos animes, a travessia das Casas do Zodíaco para salvar Atena é espetacular porque se passa por cerca de 40 episódios! Dá tempo de você se importar com os heróis, temer os vilões, torcer por Atena… No filme, não dá tempo de nada porque simplesmente não há… tempo!

Tudo é muito corrido em A Lenda do Santuário. Quando os cavaleiros finalmente chegam às Doze Casas, temos apenas uma hora de filme pela frente. Daí em diante, o espectador tem picos constantes de empolgação e frustração, já que cada encontro com um cavaleiro de ouro é um momento visualmente fantástico, te de deixar na ponta da cadeira, gritando “Caramba, que demais! Essa luta vai ser espetacular! Agora vai!”. Dois minutos depois, a luta acaba, muitas vezes com soluções bem patéticas.

E também temos…

O número musical…

Do Máscara da Morte.

#RIPDignidade

Saint-SeiyaPorém, eu gostei do filme (#RIPCoerência também)! Ou, melhor dizendo, eu me diverti com ele! Ao ver o pôster, com os personagens totalmente redesenhados, já percebi que eu não poderia cobrar um filme dos NOSSOS Cavaleiros do Zodíaco. O que é mostrado em tela é outra coisa, com uma pegada de ação excelente, um humor muito bacana e um visual incrível! Se eles tivessem criado uma aventura isolada, que se passasse entre as sagas originais (o que Dragon Ball fez), creio que o resultado teria sido muito melhor, pois o que derruba o filme é esse ritmo “broxante”, que não deixa o espectador curtir direito a história que está sendo contada. Talvez eu tenha gostado de A Batalha do Santuário justamente por ele me fazer lembrar com muita nostalgia dos episódios clássicos a cada Casa que eles avançavam. Ou talvez o meu sétimo sentido cinematográfico não esteja muito bem regulado…

P.S.: Vejam a versão dublada, todos os dubladores originais estão de volta! 😀

Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário na Netflix: http://bit.ly/NerdflixCDZ

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #67 – O Gigante de Ferro

Nerdflix #67 – O Gigante de Ferro

O Gigante de Ferro - Netflix5Eu amo animações. Já completei 26 primaveras (#aprendicomsilviosantos), mas continuo com a opinião de que esse tipo de obra, quando bem realizada, não é apenas para crianças. E muita gente pensa da mesma forma! Quando vou ao cinema conferir algum ~desenho~, acho que há mais adultos do que crianças ou adolescentes. Em alguns casos, os adultos saem até mais satisfeitos do que os pequenos. Mas não foi sempre assim. Na época das locadoras, era vergonhoso aparecer no balcão com uma fita (tome esse tapa de nostalgia) “infantil” nas mãos. Nos cinemas, só os filmes da Disney atraíam alguns adultos e mesmo assim você não saía cantando “Let it go” por aí, sem medo de ser feliz. Por isso, filmes muito, muito bons acabaram não chegando ao grande público, virando coisa de nicho. Entre eles, está uma das melhores animações que já vi, mesmo tendo a assistido pela primeira vez há poucos dias, cerca de 16 anos após o seu lançamento. E recomendo que você faça o mesmo.

MCDIRGI EC011O Gigante de Ferro (não confundir com Gigantes de Aço ou Homem de Ferro) é uma produção da Warner Bros lançada no longínquo ano de 1999. A obra é uma adaptação do romance The Iron Man (ok, pode confundir com o Homem de Ferro) de Ted Hughes. O provável motivo pelo qual o filme continua famoso até hoje? Ele foi dirigido por Brad Bird! Ele mesmo, o diretor de Os Incríveis, Ratatouille e Missão Impossível 4! O Gigante de Ferro foi o primeiro longa do sr. Pássaro e já é possível notar em tela toda a sua sensibilidade, que no futuro faria com que nos apaixonássemos até por um rato em uma cozinha. “Trabalhar” com um robô humanoide, então, seria moleza.

A história de O Gigante de Ferro possui um elemento que, como eu já disse em outros textos, dá um tom ao filme que me agrada muito: a inocência. A trama se passa em uma pequena cidade dos EUA durante a Guerra Fria e gira em torno de um robô gigante de origem desconhecida que simplesmente aparece por lá. Após ser avistado por algumas poucas pessoas e ser considerado uma lenda urbana pela maioria, o robô é encontrado por Hogarth, um garoto de nove anos que o salva de um acidente em uma estação de energia e logo se torna seu amigo. Nesse e em outros pontos o filme é muito parecido com Como Treinar Seu Dragão, já que a construção da amizade entre um garoto frágil e inocente e um ser grande e poderoso é muito semelhante. Sim, o filme do Banguela veio bem depois, mas se eu precisasse apresentar O Gigante de Ferro a alguém, poderia defini-lo como um “Como Treinar Seu Robô Gigante”.

O Gigante de Ferro - Netflix3Sobre a inocência, é claro que ela está relacionada ao fascínio que o garoto adquire pelo gigante, mas não está restrita a ele. Durante o filme, personagens adultos também preferem gostar do robô a ficarem com medo, por não saberem de onde aquilo saiu. Porém, é claro que precisamos de um antagonista para a trama. Kent Mansley é um agente do governo que representa a típica pessoa de cabeça fechada que, ao se deparar com algo fantástico, só pensa em criticá-lo e destruí-lo. Para cumprir o seu objetivo e provar que está certo, Mansley é capaz de fazer as coisas mais terríveis. Exceto uma: prestar atenção no gigante de ferro. Sabe aquele pai que só quer saber de brigar com os filhos? Aquele chefe que só sabe criticar? Aquele político que só quer mandar, sem nunca ouvir o povo? Faça a correlação que quiser, mas o fato é que esse cara é apenas um grande babaca, de dar até pena.

Já o robô… Ah, esse é um dos melhores personagens que eu já tive o prazer de conhecer. Apesar de gigante e poderoso, ele parece uma criança, aprendendo sobre as belezas do mundo… E também sobre as coisas ruins. O perigo. A violência. A morte. O diálogo entre ele e o garoto sobre a morte de um cervo é umas das mais belas cenas do cinema. Vin Diesel, que recentemente conquistou o mundo dizendo apenas “I am Groot”, já mostrava aqui que sabia trabalhar muito bem com a sua voz. O momento em que é dita a frase “Souls don’t die” deveria constar nas listas de grandes cenas da história.

O Gigante de Ferro - Netflix2Ainda sobre frases marcantes, em uma determinada cena Hogarth tenta acalmar o gigante, que por algum motivo está se tornando perigoso. “Você é quem você escolhe ser”, diz o garoto. Isso é muito poderoso! Se mesmo um robô pré-programado para obedecer a determinados comandos é capaz de ESCOLHER ser outro tipo de “pessoa”, por que nós não podemos fazer o mesmo? Ou, mais forte ainda, imagine uma criança vendo esse filme e absorvendo essa mensagem como uma filosofia para o seu futuro. Na minha opinião, filmes podem mudar vidas. E O Gigante de Ferro é uma obra com esse tipo de poder. Abra a Netflix e deixe esse filme “desconhecido” pousar tranquilamente na sua mente, com a mesma abertura e inocência com que o garoto aceitou ter a também desconhecida máquina como sua grande amiga. Te garanto que a experiência será inesquecível.

O Gigante de Ferro na Netflix: http://bit.ly/NerdflixGiganteFerro

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #66 – De Volta Para o Futuro II

Nerdflix #66 – De Volta Para o Futuro II

De Volta Para o Futuro II - Netflix3Viva 2015! Finalmente chegamos a esse ano tão aguardado por todo nerd, o ano que Marty McFly visita em De Volta Para o Futuro II e que nos mostrava como seria o futuro. Projeções holográficas realistas na rua, skates voadores, tênis que se amarram sozinhos, jaquetas que se ajustam ao seu tamanho, piiiiiiizzas da Pizza Hut que ficam prontas em segundos… Droga, Zemeckis, por que você fez isso com a gente? 🙁

De Volta Para o Futuro II foi lançado em 1989, quatro anos após o original e cerca de seis meses antes da terceira parte de uma das melhores trilogias da história do cinema. Robert Zemeckis está de volta à cadeira de diretor e novamente escreve o roteiro ao lado de Bob Gale. Spielberg também retorna como produtor executivo e como o primeiro nome a aparecer em tela após o logo da Universal. Tem moral o cara, hein?

De Volta Para o Futuro II - Netflix2Na trama, Doc Brown (Christopher Lloyd) leva Marty McFly (Michael J. Fox) para o futuro, para que eles possam corrigir uma situação que destruirá a família do garoto. Porém, todo nerd sabe que viagem no tempo é sinônimo de altas confusões (saudades Sessão da Tarde). Percebendo uma oportunidade de mudar a sua vida, Biff (Thomas F. Wilson), o eterno rival da família McFly, consegue voltar para o passado e dar a si mesmo mais jovem um presente que mudará não apenas a sua realidade, mas a da cidade de Hill Valley inteira! Quando Doc e Marty voltam para o presente, eles percebem que alguém do futuro voltou ao passado e criou um novo presente e agora eles devem voltar para o passado para alterar esse presente e, consequentemente, o futuro, mas tomando cuidado para que os seus outros eles que vieram do outro presente e que estão no mesmo passado não os encontrem, para que eles possam voltar para o outro presente, e irem para o outro futuro, para que esse passado e o verdadeiro presente não sofram as consequências e os novos Doc e Marty voltem com segurança para o terceiro presente e… Great Scott, que bagunça!

BTTF II (para os íntimos) é realmente muito mais complexo do que o primeiro filme, mas ainda consegue manter tudo em ordem na cabeça do espectador sem se tornar demasiadamente didático. Essa continuação também é bem mais tensa do que o original. Enquanto o primeiro filme possui um senso de urgência maior, o segundo trabalha a tensão em cima de uma grande ameaça que coloca em risco tudo o que foi resolvido anteriormente, já que a viagem ao passado leva os personagens para a mesma data que eles visitaram na primeira aventura. Ou seja, a chance de alguma coisa dar errado é maior do que a chance de você desistir do regime iniciado no dia 02 de janeiro.

De Volta Para o Futuro II - Netflix5E De Volta Para o Futuro II continua sendo uma obra mágica, um daqueles filmes que dá gosto de ver. A direção é excelente. A edição é fantástica, criando um ritmo muito bom de acompanhar. O roteiro, mesmo sendo complexo, é redondinho. E as atuações, é claro, são impecáveis. Junte tudo isso e você terá uma máquina do tempo nostálgica, que te fará acreditar que aquela versão de 2015 ainda pode acontecer. Bom, na prática a tecnologia tem até o dia 21 de outubro desse ano para chegar àquele ponto. Quem sabe o que pode acontecer até lá? (R.: O Doc)

De Volta Para o Futuro II na Netflix: http://bit.ly/NerdflixBTTFII

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #65 – Gremlins

Nerdflix #65 – Gremlins

ATENÇÃO: esse texto está repleto de nostalgia!

Gremlins - Netflix4Que saudade daquele espírito de Natal inocente, infantil, um espírito moleque, de raiz… Saudades dos especiais da Xuxa na véspera do Natal. Saudades da TV Colosso exibindo episódios natalinos nas manhãs do dia 24. Saudades de ouvir a Simone cantando “Então é Natal” em todas as Lojas Americanas (mentira). E que baita saudade dos filmes natalinos das décadas de 80 e 90. Gente, Gremlins é um filme sobre um bichinho bonitinho, fofinho e peludinho que gera seres asquerosos e nojentos que matam pessoas! O incrível é que nós achávamos isso tudo normal! Curtíamos pra caramba! E isso era ótimo! 😀

Gremlins é mais um filme oitentista com o dedo de Steven Spielberg, atuando aqui como produtor da obra. A direção ficou a cargo de Joe Dante, diretor de Pequenos Guerreiros e um dos diretores de No Limite da Realidade. No roteiro, Chris Columbus, que também escreveu Os Goonies ao lado do próprio Spielberg. Columbus, Dante e Spielberg, três nomes que com certeza foram fundamentais para a nossa infância. E em Gremlins, temos os três juntos, unindo forças para criar uma obra inesquecível, aclamada até hoje, 30 anos após o seu lançamento!

Gremlins - Netflix3Para quem não se lembra, a história de Gremlins se passa em uma pequena cidade americana, durante o Natal. O jovem Billy Peltzer ganha de seu pai um presente um pouco diferente, “comprado” em uma loja estranha de um chinês ainda mais estranho. O presente em questão é um Mogwai, uma pequena criatura peluda, inteligente e aparentemente inofensiva, chamada Gizmo. E, de fato, ele seria um excelente bichinho de estimação mesmo (#quero), não fossem as três regras básicas: 1) Não expô-lo à luz forte; 2) Não molhá-lo; 3) Não alimentá-lo após a meia-noite. Agora, adivinhe o que acontece durante o filme, em relação a essas três regras…

A melhor coisa sobre Gremlins é o seu tom de inocência, impraticável hoje em dia. Pense bem, qual a primeira coisa que você faria se encontrasse um Mogwai? Levá-lo para casa tranquilamente? Deixá-lo em contato com a sua família? Apresentá-lo aos seu amigos como se fosse um hamster qualquer? É claro que não, cinco minutos após o Mogwai ser descoberto já haveria uma foto dele na timeline de todo mundo, pois seria a coisa mais viralizada da história da internet. Em algumas horas, jornalistas estariam na sua casa e no domingo você receberia uma grana preta para que ele fosse a atração principal do Pânico na TV, sendo acariciado pelas Panicats (o Mogwai, não você).

Gremlins - Netflix2Mas os anos 80 eram diferentes. Em uma determinada cena, Billy apresenta Gizmo a um amigo (Corey Feldman, o Bocão de Os Goonies) e esse, após um óbvio momento de interesse no animal, logo volta a sua atenção a uma revista 3D, que está de bobeira por ali. O mesmo acontece com Billy e seus pais, que acham super normal um bichinho ser tão inteligente a ponto de praticamente saber falar. E para aproveitar o filme de verdade, você também precisa ter essa inocência. Afinal, você verá monstrinhos bebendo, fumando, apostando em jogos de cartas, atirando, matando pessoas… Fico imaginando como seria um possível remake de Gremlins, seguindo a lei do politicamente correto que impera hoje em dia. Ou ele realmente nunca seria feito, ou ficaria muito, muito sem graça. Mas hoje, pelo menos, sempre podemos recorrer a esse e a outros filmes clássicos dessa época, para relembrarmos como era ser criança na nossa geração. Bons tempos…

Gremlins na Netflix: http://bit.ly/NerdflixGremlins

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #64 – Looper

Nerdflix #64 – Looper

Looper - Netflix493% de aprovação no Rotten Tomatoes. Nota 7,5 no IMDB. 110 milhões de dólares de arrecadação nas bilheterias, contra um orçamento de 30 milhões. Um sucesso, sem dúvida. Um dos grandes filmes da década? Um filme que será lembrado para sempre? Infelizmente, me arrisco a dizer que não. Looper: Assassinos do Futuro (primeira e última vez que uso esse subtítulo no texto) é, sim, um filme espetacular, com uma ideia fantástica, uma execução excelente, mas com um problema grave, que é curioso por ser justamente o tema principal do filme: o tempo.

Looper é uma obra de 2012, escrita e dirigida por Rian Johnson, simplesmente o cara que dirigiu Ozymandias, o melhor de todos os episódios de Breaking Bad, e que está contratado para comandar Star Wars VIII e IX. Ou seja, um baita diretor! Durante todo o filme, temos a impressão de que estamos realmente diante de um cara com muito talento, pois a sua assinatura é visível durante os 119 minutos de projeção. Porém, a falha de Looper (isso na minha opinião, é claro) é em relação ao roteiro, que em sua maior parte é brilhante, mas que comete alguns erros bobos que acabam marcando o filme…

Joseph Gordon-Levitt; Bruce WillisA trama se passa em 2044, em Kansas City (ótima escolha de ambientação, para não gastar muito inventando coisas futurísticas que teríamos se o filme se passasse em Nova York, por exemplo). Nessa realidade, existe um grupo de assassinos profissionais, especializados em matar pessoas do futuro. Não que eles sejam viajantes do tempo, na verdade eles matam pessoas que são enviadas do futuro para o presente, para que o crime seja cometido e o corpo seja ocultado, desaparecendo totalmente de onde – ou melhor, de quando – ele veio. Mas chega um momento em que o assassino deve fechar o “loop”. A sua versão do futuro, 30 anos mais velha, é enviada de volta, para ser assassinada por ele mesmo, mais jovem. Com isso, o looper recebe uma bela grana em barras de ouro – que valem mais do que dinheiro – é aposentado e curte tranquilamente os seus próximos 30 anos, sabendo que uma hora ele será enviado para o passado, para ser assassinado pela sua versão mais jovem, que receberá uma bela grana em barras de ouro – que valem mais do que dinheiro – se aposentará e curtirá tranquilamente os seus próximos 30 anos, sabendo que… Enfim, esse é o loop que precisa ser fechado constantemente.

Joe (Joseph Gordon-Levitt, com o rosto modificado para ficar parecido com Bruce Willis) é um desses loopers. Quando o Joe do futuro (o próprio Bruce Willis) é enviado para ser assassinado, Joe não consegue matar Joe. Joe toma um cruzada de esquerda de Joe e fica desacordado enquanto Joe foge. Agora, Joe deve encontrar Joe e matá-lo, enquanto Joe tenta convencer Joe do contrário. No final, eles se entendem e lançam a marca Joe Joe (#piadainfamedodia).

Como se já não bastasse toda essa história de viagens no tempo, ainda é inserido mais um elemento à trama: telecinese. Em 2044, uma pequena porcentagem da população adquiriu esse ~poder mutante~, mas quem o possuía o usava de maneira tímida, como levitação de moedas e isqueiros inofensivos. Apesar de parecer algo de certa forma irrelevante, a adição desse tema transforma Looper em algo único, totalmente original.

Looper - Netflix2Agora, o problema sobre o qual eu falei acontece quando passa um certo tempo e você passa a refletir sobre o que assistiu. Nesse momento, você nota alguns pontos tolos, que não fazem muito sentido de acordo com o que foi mostrado. Não quero dar spoilers, então se você assistir ao filme, entender sobre o que estou falando e discordar ou concordar com essa crítica, poste seu comentário, para que a discussão continue. Mas falando bem por cima, não faz muito sentido você mandar alguém pro passado para alguém ter o trabalho de matar essa pessoa e esconder o corpo, sendo que seria mais fácil simplesmente enviá-lo para dentro de um vulcão ou para o fundo do mar, por exemplo. É claro que a justificativa mais óbvia para isso é o fato de que a viagem deve acontecer apenas no tempo e não no espaço, então a pessoa voltaria exatamente para o mesmo lugar, mas 30 anos no passado. Ok, mas… Tem um certo personagem que aparentemente morava na China e volta direto para Kansas, não é mesmo? Ou será que esse personagem pegou um avião com os bandidos antes de entrar na máquina do tempo? Outra incoerência é um assassinato que acontece numa boa no futuro, sendo que a justificativa para a viagem no tempo era justamente a dificuldade de ocultar um corpo em 2074. Inclusive, acho que seria mais fácil se eles matassem a pessoa no futuro e mandassem só o corpo para o passado, certo?

Isso tudo pode parecer apenas um mimimi sem sentido, mas na época do lançamento de Looper era muito comum encontrar essas críticas, mesmo entre as pessoas que gostaram do filme, o que é o meu caso, por exemplo. Adorei Looper, coloquei-o na lista dos melhores filmes de 2012, mas ao final fica a impressão de que faltou algo para que ele levasse uma nota 10 com louvor. E talvez seja justamente por causa dessas pequenos erros. Parece que o filme quis ser tão perfeito, que qualquer falha, por mínima que seja, mancha a obra.

Looper - Netflix5Ainda sobre as possíveis falhas do roteiro, em certo momento o Joe de Bruce Willis diz em uma discussão que não quer falar sobre viagens no tempo, como se dissesse ao espectador: “Você está encontrando incoerências? Não interessa, sente-se e assista ao filme sem reclamar!”. Só que parte do público não obedeceu essa ordem… Talvez se alguns desses pontos fossem trabalhados de forma mais precisa, Looper não teria recebido as críticas que recebeu e se tornaria um dos maiores filmes da história do cinema. Quem sabe um dia o Rian Johnson do futuro volte e conserte esses erros… Então, ao invés de ler as últimas linhas desse texto como estão agora, você encontrará palavras de um cara maravilhado com uma obra perfeita. Vamos ver o que tempo pode fazer em relação a isso.

Looper na Netflix: http://bit.ly/NerdflixLooper

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Tarcísio Silva
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