Xina Gamer – GEMINI RUE

Xina Gamer – GEMINI RUE

Uma aventura Point and Click, que mistura Cowboy Bebop e Blade Runner.

GR 02Após muito pesquisar, finalmente encontrei um jogo de aventura ao melhor estilo Full Throttle. E hoje vou apresentar para vocês: Gemini Rue.

Point and Click são jogos de aventura, onde as ações do jogo são feitas através de cliques no cenário, onde a mecânic a principal do jogo são pequenos quebra cabeças, que interagem com os personagens e cenário do jogo.

Este jogo me fascinou, e por isso, não posso apresentar ele para vocês de outra forma que não essa:

Você está no século 23, em um sistema fora da orla exterior da galáxia central. Neste século que estamos, o universo continua amplo, mas muito menos misterioso, onde viagens interplanetárias são muito comuns, como ir de trem de uma cidade para outra.

GR 03É um dia chuvoso, você fuma seu cigarro impacientemente em um ponto de ônibus, aguardando a chegada do seu contato.

A chuva incessante cria uma música ambiente calma e hipnotizante, como uma TV ligada em estática, em um volume baixo e agradável. Seu velho sobretudo lhe proteje da pneumonia certa, e dos olhares curiosos dos transeuntes drogados.

Sim você está em um planeta terrívelmente miserável, onde os cidadãos em sua grande maioria são viciados e traficantes. A população local complementa o clima do planeta, chuvoso, onde não é possível ver o sol, onde o céu transita entre tons de cinza ao dia, e um breu infinito durante a noite.

GR 04

Em uma parede próxima ao ponto de ônibus, você começa a ler pôsteres com fotos de pessoas desaparecidas, homens e mulheres, um ao lado do outro quase que como se fossem uma multidão presa em molduras. Seu contato não chega, e você começa a investigar, afinal, seu companheiro na nave está na órbita baixa do planeta, onde os radares não podem localizá-lo, mas neste perigoso jogo de cartas marcadas, pagar para ver a próxima carta sempre vai levá-lo a derrota, neste caso, em uma cela sem janelas dos Boryokudan.

Você vai até o apartamento dele, afinal, você se lembra onde é, mesmo depois de anos desde o seu último trabalho juntos. O caminho até o prédio é tortuoso, como se a chuva tenta-se lhe castigar por anos de pecados durante o caminho. Enquanto você presencia viciados encolhidos nas calçadas, e pequenos comércios locais, que com certeza esperam sair deste planeta algum dia. Ao menos sonham com isso, já que não há muitas negociações acontecendo hoje em dia, deixando-se tempo de sobra para cultivar esperança.

GR 05Ao chegar no apartamento, ele está vazio, sem sinal do seu contato. Aparentemente o lugar anda abandonado a alguns dias, e já que estamos aqui, por que não dar um gole de whyskey para ajudar a clarear as ideias e planejar seu próximo passo. Você pega uma garrafa verde, aparentemente um Whyskey Boryokudano, coisa rara nos dias de hoje. Você se pergunta quantos traficantes ele matou para ter esta garrafa, mas dane-se, afinal, ele ainda te deve uma grana daquele último trabalho no cassino.

Mas antes que você possa saborear este precioso tesouro, batidas abafadas tremem a porta. A voz do outro lado, rouca e grave, quebra o silêncio do apartamento, e pede para abrir imediatamente. Você é esperto o suficiente, para saber que isto foi uma cilada, e é esperto também para saber que não irá vir um segundo aviso, mas novamente, pagar para ver a próxima carta vai lhe custar caro, e neste caso, a banca tem um rifle spartan, e você só tem um 38 enferrujado para apostar. Com isso você conclui, mais 30 segundos, e aquela porta vai estar no chão, assim como o meu corpo, alvejado de chumbo.

Você sai pela varanda, usando as escadas de emergência do lado de fora do prédio. Quando chega até a rua, você corre, não por vontade própria, mas por instinto. No meio da corrida seu intercomunicador toca, você atende, imaginado que seja o seu parceiro reclamando que estão parados a tempo demais neste planeta, e que ficar esperando em uma lata de sardinha espacial não fazia parte do plano.

GR 06Porém, desta vez não, uma voz trêmula e baixa tenta se comunicar do outro lado, é o seu contato. Após xingar por 20 segundos no dialeto de casa, seus pulmões se entregam, você para exausto, e ouve ele dizer para seguir para um beco próximo, seguido de sons do que parece ser um tiroteio.

Cansado e sem fôlego para correr, você caminha até o local, afinal, seus pulmões pedem para acender outro cigarro. A chuva continua, e você chega ao local, está deserto. Somente alguns containers de lixo enfeitam o local. Uma figura surge mais a frente, mas a chuva e os vapores dos esgotos não permitem que você reconheça quem é. Mais alguns passos e você o reconhece, seu contato. Ele caminha em sua direção, olhando para trás por cima dos ombros como se fosse um tique nervoso. Ao chegar perto, ele abre um sorriso tímido, que é interrompido por um punho furioso projetado em sua mandíbula.

– Você armou pra mim, e perdeu. De novo.

– Calma Azriel ! Por Drokk! Eu não sabia!

– Pode até ser, mesmo porque, você não iria se arriscar uma segunda vez.

– Escroto!

– Agora desembucha, onde ele está, cadê ele?

– Eu… eu sinto muito, mas ele foi levado.

– Mas que brincadeira é essa? Eu deixei ele com você! Eu te falei que ia voltar!

– Eu não tive como evitar, ele foi levado antes que eu pudesse te ligar.

– Quem pegou ele? Pra onde o levaram?

– Eu não sei para onde, mas você deve ter alguma ideia. Foram os Boryokudan.

Você se permite em dar um soco em uma lixeira local, e planeja um segundo no pobre coitado à sua frente, um extremo de raiva justificável afinal, mas seria melhor não acordar velhos demônios internos adormecidos. Então você se acalma.

Você acende um cigarro, enquanto o informante lhe conta como aconteceu, a pior história que você já teve de ouvir calado.

– Vamos embora.

– Para onde Azriel?

– Vamos continuar com o plano.

– Você está maluco? É arriscado demais! É suicídio!

– E se você continuar retrucando, vai virar um homicídio em poucos minutos! Vamos, não temos tempo a perder, e eu estou disposto a arriscar tudo. Afinal, ele é meu irmão!

É isso aí galera, assim começa a aventura de Azriel Odin, em busca de seu irmão raptado, nos cantos mais remotos da galáxia.

Contando um pouco sobre o jogo em si, ele é um Point and Click tradicional é claro, porém, traz algumas mecânicas muito inovadoras de tiro. Sim isso mesmo, tiro! Apesar do jogo ter o padrão de jogos deste estilo, ele mescla além dos quebra-cabeças, um sistema de tiro, que permite que você enfrente seus inimigos de uma forma mais dinâmica.

O jogo possui um belo visual “Noir” mesclado com cenários “Cyberpunk”, com diálogos interessantes, e um enredo sensacional. Não só isso, mas o visual se complementa com um estilo gráfico diferente, bem pixelado, e que é um prato cheio para quem gosta de pixel art.

Tudo no jogo faz lembrar a mistura perfeita do filme Blade Runner e o estilo cyber noir do anime Cowboy Bebop.

GR 07Por falar em Cowboy Bebop, existem até aparições dos personagens do anime durante o jogo, uma excelente homenagem feita pelo criador do jogo.

Apesar de ser um jogo já um pouco antigo (2011), eu considero este um jogo sem limites de época, devido ao seu estilo retro em pixel art, e a sua narrativa excelente. Aliás, o jogo possui uma boa equipe de dublagem, e 90% dos diálogos no jogo estão dublados e com texto.

Eu não quero estragar a diversão do jogo, dando espoilers desnecessários, por isso, se você é fã de jogos do estilo, como Full Throttle, Beneath a Steel Sky e jogos da Telltale Games, esta vai ser uma excelente experiência para você. Se você não é fã, eu aconselho a começar por este, pois tem uma temática bem diferente, e uma trama que vai te conquistar.

Gemini Rue está disponível para Android, iOs  e PC (steam).

 


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