Nerdflix #75 – A Onda

Nerdflix #75 – A Onda

Você é muito bom, cara. Já te disseram isso?

Olha, garota, você tem algo especial que é só seu, você é muito melhor que as suas amigas.

Galera, vamos reunir as pessoas de alto nível como nós?

Foda-se quem não se encaixar nos nossos padrões.

Olha, é o seguinte, somos claramente superiores. É hora de expandir a nossa força e espalhar nosso símbolo e nossa mensagem.

Ontem, algumas pessoas com uma visão diferente da do nosso grupo vieram discutir com a gente. Cuidamos deles.

Somos uma força viva!

Ninguém pode nos parar!

NADA pode nos parar!

A vida não tem sentido fora desse grupo.

O que seria de nós sem o nosso símbolo para adorar?

O que seria de nós sem o nosso símbolo para defender?

O que seria de nós sem o nosso símbolo para nos definir?

Sou capaz de fazer de tudo pelo nosso grupo.

Se me mandarem gritar, eu grito.

Se me mandarem brigar, eu brigo.

Se me mandarem matar…

Eu mato.


Onde você consegue encaixar a situação acima? Na Alemanha nazista? Nas gangues de rua? Nos grupos extremistas religiosos? Nas torcidas organizadas de times de futebol? Que tal na sua própria escola ou no seu próprio círculo de amigos?

Duvida que isso pode acontecer com você? Por quê? Você se acha superior a essas pessoas que se envolvem em grupos que são capazes de tudo por se acharem… superiores?

Ao contrário das outras críticas aqui no Nerdflix, hoje não falarei nada sobre o filme em si. Deixarei apenas a sua curiosidade falar mais alto, para que você sinta o impacto dessa onda por completo.

Você está desafiado.

Você está convocado.

Você TEM que ver A Onda.

A Onda na Netflix: http://bit.ly/NerdflixOnda

Documentário “A Terceira Onda”, retratando o caso real ocorrido em 1967 em Palo Alto, Califórnia: http://bit.ly/aterceiraonda

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #74 – Os Estranhos

Nerdflix #74 – Os Estranhos

Ao escolher Os Estranhos como o tema do Nerdflix dessa semana, pensei em fazer uma crítica diferente. Nunca tinha visto o filme e sempre gostei desse tipo de suspense mais real, que te deixa apavorado por pensar que aquilo poderia acontecer com você mesmo. Ou seja, a combinação perfeita para uma ótima sessão de pânico numa quarta-feira à noite. Foi então que tive a ideia: dividiria o meu texto em blocos, de acordo com o nível de tensão que o filme causasse em mim, ao longo dos seus curtos 86 minutos de duração. Como eu fui ingênuo. Ainda dividirei a crítica em blocos. Mas medindo o nível de outra coisa…

60% de sono, mas bem empolgado

Confesso que já estava com um pouco de sono quando abri a Netflix e dei play em Os Estranhos, mas nada muito fora do normal (acho que o meu padrão durante o dia fica em torno de 40%), já que estava prestes a ver um filme que eu queria muito ter visto desde a época de seu lançamento, mas acabei ignorando. Sempre gostei de ver a Liv Tyler – ( ͡° ͜ʖ ͡°) – e lembro que o trailer de Os Estranhos me deixava muito curioso e apavorado com aquela situação. Basicamente, a trama relata uma noite de terror vivida por um casal que tem a sua casa, que fica no meio do nada, invadida por três estranhos. A história é levemente inspirada em algo que aconteceu na infância do diretor Bryan Bertino, realizando aqui o seu primeiro longa metragem.

50% de sono e curtindo muito

O filme começa muito bem. A cena inicial se passa durante a manhã do dia seguinte aos acontecimentos, quando dois garotos notam que há algo de errado e entram na casa, encontrando muita bagunça e muito sangue. BUM, curiosidade e expectativa para o alto e nível de sono para baixo. Em seguida, uma cena digna de palmas. Vemos o casal interpretado por Liv Tyler e Scott Speedman no carro, em um silêncio quase palpável, indicando que algo não vai muito bem entre eles. Um close em Liv e vemos marcas de lágrimas que escorreram pelo seu rosto. Brilhante. O ponto alto do filme. Tinham se passado menos de dois minutos.

Vem a decepção, e o sono chega a 80%

Desse ponto em diante, só me desapontei com as decisões do diretor, tirando-me totalmente do clima do filme. Colocar um flashback só pra mostrar mais ou menos o que motivou a tristeza do casal foi claramente um artifício para acrescentar alguns minutos a maia ao filme. Planos longos e sequências sem ritmo servem para o mesmo propósito. Acompanhamos por mais de 20 minutos o casal em clima de fossa, em uma DR sem nem sequer diálogos interessantes. Mas o problema é que qualquer um sabe que durante o filme o amor vai voltar e eles passarão a se importar um com o outro novamente, então é difícil levar essa enrolação a sério. Ah, e temos uma cena 50 Tons de Cinza que começa boa, mas acaba rápido. 😛

O ataque começa. E o sono aumenta para 95%

Quando finalmente começa a surgir o trio de malucos que invadirão a casa, a tensão realmente fica legal. Mas aí está o maior problema do filme, para mim. Você não consegue enxergar um objetivo em tudo aquilo e não dá para acreditar em determinadas cenas em que os vilões mascarados aparecem só pra dar um susto no espectador, não na personagem. Sério, isso é muito irritante! O personagem está alheio ao que está acontecendo, não está vendo nada, mas o diretor faz com que a ameaça surja em um local totalmente desnecessário e aumenta o volume da trilha apenas para… assustar o espectador. Ou seja, estamos realmente acompanhando um filme, no qual os vilões sabem onde está a câmera e dirigem os seus sustos a ela. Não dá pra entrar no clima da trama desse jeito…

Os vilões brincam de esconde-esconde. Eu durmo

O diretor de Os Estranhos também não consegue definir o que são os vilões. Em teoria, são três pessoas loucas. Porém, na prática filmada, todos são descendentes de Jason Voorhees. Em um momento, eles estão perseguindo o casal. Segundos depois, após um corte de câmera, eles já não estão mais lá. ME EXPLIQUE ISSO! Uma coisa é a pessoa sumir do enquadramento, outra bem diferente é ela sumir de vista em questão de segundos! Quando isso acontece, eu só imagino que o bandidão malvado esperou a mocinha olhar para outro lado, saiu correndo e ficou escondido atrás de uma árvore, de ladinho. Poxa, Bryan Bertino, é por isso que você não fez mais nada relevante depois desse filme, parça! Pelo menos há uma morte nessa parte do filme. Uma morte que, ao invés de chocar o espectador, causa uma risada involuntária. Pra piorar, o trio brinca de esconde-esconde pela casa toda, parecendo a galera do Scooby Doo. Saem por uma porta, entram pela outra. Estão lá fora, de repente estão em um cômodo do lado de dentro. Dormi, gente, desculpa…

Um novo dia, uma nova chance, a mesma certeza

No dia seguinte, resolvi terminar de vê-lo, pois não seria correto com os leitores do NdF se eu fizesse um texto sem assistir ao filme por completo. Pensei que talvez eu não tivesse gostado dele no dia anterior por já estar com um sono considerável desde o começo. Mas não, meus amigos, Os Estranhos continua péssimo. Mesmo no clímax, que é quando você imagina que “agora vai”, não vai. É tudo muito vazio, muito superficial. Pra coroar um dos piores suspenses que eu já tive o desprazer de ver, a cena final é de uma estupidez sem tamanho, totalmente sem necessidade e sem fundamento.

Ainda quer ver Os Estranhos? Pause após uns três minutos. Você terá o final do filme, com a cena dos garotos encontrando tudo, e o começo, com o casal silencioso chegando de carro. O resto é só imaginar. Com certeza o resultado será melhor.

Os Estranhos na Netflix: http://bit.ly/OsEstranhosNerdflix

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #73 – Onde Os Fracos Não Têm Vez

Nerdflix #73 – Onde Os Fracos Não Têm Vez

Onde os fracos não têm vez - Netflix4Estamos na semana do Oscar 2015 (pelo menos estávamos quando o post foi publicado :P). E nesse ano, percebo que se repetirá um curioso e de certa forma triste fenômeno: nenhum dos indicados a melhor filme, provavelmente nem mesmo o vencedor, entrará para a história como um dos grandes filmes do cinema. Birdman não agrada a todos. Boyhood é uma belíssima obra, mas acho será lembrado mais pelo seu longo tempo de produção, do que pelo filme em si. O Grande Hotel Budapeste é quase um cult. E é isso, não temos nem mesmo um Gravidade esse ano, que mesmo sem ter vencido já tem um lugar marcado no panteão da sétima arte. Por esse motivo, decidi falar sobre um outro vencedor do Oscar de melhor filme que muitos já esqueceram ou nem sequer o conheceram.

Onde Os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men) foi lançado em 2007 e levou para casa quatro estatuetas no Oscar 2008: melhor roteiro e melhor direção para os irmãos Joel e Ethan Coen, melhor ator coadjuvante para o monstro maluco Javier Bardem e melhor filme. Na época, ele concorreu com o grande Sangue Negro, o fraco Desejo e Reparação, o comecei-a-ver-e-parei Conduta de Risco e o adorável Juno. Pra mim, Ratatouille foi o melhor filme do ano e Glen Hansard e Markéta Irglová cantando Falling Slowly marcou um dos melhores momentos da história do Oscar. Mas ainda assim, digo que o prêmio para Onde Os Fracos Não Têm Vez foi merecido, pois dentre os cinco indicados à categoria principal, ele foi realmente o mais competente e, principalmente, o mais ousado deles!

Onde os fracos não têm vez - Netflix5Os irmãos Coen, como já provaram antes em Fargo, sabem como contar uma história! Ou melhor, sabem como criar uma lenda! Llewelyn Moss (Josh “Thanos” Brolin) é um típico habitante do Texas dos anos 80, que passa os seus dias caçando tranquilamente animais inocentes no deserto. Certo dia, ele encontra um local com vários mamíferos perigosos mortos. Traficantes, no caso. Seguindo a trilha de um deles, que só conseguiu sobreviver a tempo de encontrar uma sombra, Llewelyn encontra uma mala com dois milhões de dólares. Tudo bem, tudo legal, mas por pouco tempo. Anton Chigurh (esse filme tem os melhores nomes de personagens), interpretado de maneira magnífica por Javier Bardem, é um assassino loucaço que está atrás dessa grana, acumulando pelo caminho cadáveres e maçanetas estraçalhados pela força do ar. Calma, ele não tem uma seta azul na cabeça e sim uma pistola de ar comprimido, uma das melhores armas já criadas para um vilão.

Onde os fracos não têm vez - Netflix3Pronto, temos o conflito do filme! É claro que também há mais alguns capangas e até o Woody Harrelson perseguindo Llewelyn, além do Tommy Lee Jones investigando tudo, mas o duelo mesmo é entre ele e Chigurh, dois personagens completamente opostos, o que aumenta ainda mais a tensão. Llewelyn é um cara duro, intenso, porradeiro, mas ainda assim é um cara normal, que só entrou nessa por causa do dinheiro que encontrou. Já Anton Chigurh é frio, calculista, aparentemente incapaz de sentir qualquer tipo de emoção, exceto o prazer ao matar alguém. Durante todo o filme, aguardamos ansiosos e tensos o momento do confronto final entre os dois personagens, assim como aguardamos durante várias temporadas o confronto  final entre Walter White e Gus Fring. Em Breaking Bad, o “face off” entre os dois acaba não acontecendo de uma forma direta, frente a frente. Em Onde Os Fracos Não Têm Vez…

Seria spoiler falar qualquer coisa referente a esse duelo ou ao ato final do filme, mas posso dizer que esse último trecho é o que faz de Onde Os Fracos Não Têm Vez uma obra única, diferente do convencional. Porém, o que é o grande trunfo do filme também é o seu ponto fraco para muitas pessoas, que podem se sentir frustradas quando surgirem os créditos finais. Para mim, a conclusão da trama apenas reforça a ideia da construção de uma lenda, que sempre tem alguns trechos ocultos, digamos assim. Mas também entendo quem reclama desse ponto, já que uma surpresa que deixe o espectador decepcionado nem sempre é bem aceita.

Onde os fracos não têm vez - Netflix2E talvez seja justamente por isso que Onde Os Fracos Não Têm Vez não tenha se propagado tanto quanto deveria, sendo um filme ganhador do Oscar. De certa forma, é até bom você já assistir ao filme com esse leve spoiler sobre a construção da trama, sabendo que algo fora do comum o aguarda no terceiro ato. Creio que assim você poderá gostar ou não do resultado, mas pelo menos não ficará frustrado ou se sentindo “enganado”, como vi algumas pessoas relatando na época. O cinema é um local onde os criativos devem ter vez sem medo de inovar e cabe a você dar essa chance e participar da experiência. Se não curtir, é só dar play no Ratatouille depois. 😉

Onde Os Fracos Não Têm Vez na Netflix: http://bit.ly/OndeOsFracosNerdflix

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #72 – Sobrenatural

Nerdflix #72 – Sobrenatural

Sobrenatural - Netflix3Jogos Mortais. Criado por James Wan e Leigh Wannel, possui uma história espetacular, mas uma execução que foi se perdendo com o passar do tempo. Atividade Paranormal. Criado por Oren Peli, possui uma história espetacular, mas uma execução que foi se perdendo com o passar do tempo. Sobrenatural. Criado por James Wan, Leigh Wannel e Oren Peli, possui uma história espetacular, mas uma execução que falha desde o início. Ainda assim, vi todos os Jogos Mortais. Ainda assim, vi todos os Atividade Paranormal. Ainda assim, vi e recomendo Sobrenatural.

Por reunir os criadores das duas maiores franquias de terror dos últimos anos, Sobrenatural (Insidious) foi lançado em 2010 cercado de muitas expectativas, prometendo ser a próxima grande série de horror do cinema. Em geral, as críticas foram positivas. Na bilheteria mundial, faturou quase 100 milhões de Obamas, tendo custado apenas 1,5 milhão. Mais um grande sucesso. E, felizmente, não se trata apenas de mais um filme de terror genérico.

Sobrenatural - Netflix4Sobrenatural possui muitos acertos, começando pela trama, o seu ponto mais forte. A família Lambert acaba de se mudar para uma nova casa. Logo nos primeiros dias, coisas estranhas começam a acontecer, mas nada que chame a atenção ou que espante a família do local. Porém, o pior ainda estava por vir, afinal esse é um filme de terror. Dalton, um dos filhos do casal Josh e Renai, certo dia simplesmente não acorda, sem uma explicação aparente. Mesmo após levar o menino ao hospital e pesquisar sobre o assunto no Yahoo Respostas, a família continua sem entender por que ele está aparentemente em coma, sem motivo algum para isso. Porém, o pior ainda estava por vir – Parte II. Aparições de forças ocultas, machas de sangue, objetos que se mexem sozinhos… As coisas ruins começam a acontecer com mais frequência, chegando até a ameaçar o indefeso garoto. Em pânico, a família resolve se mudar para outra casa, deixando aquele local assombrado para trás. Porém, adivinhe… O pior ainda estava por vir – Parte 666. Na nova casa, tudo continua acontecendo, de maneira mais intensa. Logo, eles descobrem que a culpa não é da casa. Não é da vizinhança. Não é da Dilma. É o garoto que está atraindo essas coisas ruins.

Outro acerto do filme é o elenco. Patrick Wilson, o Coruja de Watchmen, consegue transmitir uma certa seriedade ao filme, mesmo sem uma atuação tão competente assim. Rose Byrne, como a mãe do menino encapetado, entrega uma interpretação excelente de uma mãe desesperada, com medo, aflita, mas ainda sim esperançosa. O garoto exu sem luz, apesar de passar o filme todo desmaiado como a Juliana, é interpretado por um ator mirim de muito destaque em Hollywood, Ty Simpkins, que já apareceu em Guerra dos Mundos, Homem de Ferro 3 e estará em Jurassic World. E você aí, juntando moedas pra comprar o jogo do X-Wing…

Sobrenatural - Netflix6Mas, infelizmente, Sobrenatural tem uma execução muito aquém do que poderia ter, para fazer jus à história. Filmado em apenas três semanas e contando com um orçamento mínimo, em muitos pontos o filme tem cara de uma obra amadora, com uma péssima fotografia e uma direção muito fraca. Tecnicamente, o diretor James Wan repete o seu trabalho em Jogos Mortais, que também foi rodado com baixo orçamento e que foi o seu primeiro filme, então dava pra relevar. Mas cometer essas mesmas falhas anos depois é inaceitável. Em muitos pontos, parece que estamos assistindo a um filme do SyFy, como um Sharknado da vida. Isso interfere muito clima da obra, já que, ao ficar reparando nos defeitos da produção, o espectador não consegue embarcar na história, que é o grande objetivo de todo filme.

Sobrenatural - Netflix5Contudo, o resultado final é positivo. É muito bom ver um filme de terror que, mesmo utilizando vários clichês, mostra algo novo e realmente interessante. Quando a família descobre que o problema é o garoto, eles contratam uma equipe de “caça-fantasmas” típica de Poltergeist, o que dá a Sobrenatural um tom até um pouco cômico, mas que leva a trama literalmente a uma outra realidade. E após os acontecimentos finais, sua vontade é correr para ~alugar~ a sequência lançada em 2013, que é uma continuação direta do primeiro filme. Não espere muito e não encare Sobrenatural com tanta seriedade. Você vai se divertir,

Sobrenatural na Netflix: http://nflx.it/1An6JZV

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Tarcísio Silva
(@tarc1sio)

Nerdflix #71 – Dredd

Nerdflix #71 – Dredd

Dredd - Netflix2É muito bom quando um filme nos surpreende positivamente. Vi Dredd no cinema, em uma segunda-feira à noite, pagando apenas 4 Dilmas na meia-entrada. Coisa de quem não tem nada melhor para fazer, eu sei. Comprei o ingresso sem pretensão alguma. Afinal, se tratava de um remake de um filme que nos cansou de tanto passar no SBT e que era baseado em uma HQ que ninguém nunca leu. Não tinha como ser bom. Mas foi! E muito!

A produção de Dredd também não dava sinais de que teríamos um bom filme. No início, ele seria dirigido por Pete Drives, conhecido pelo superestimado Ponto de Vista (#polêmica). Porém, um ano antes do seu lançamento, Pete foi convidado a se retirar, com os produtores dizendo apenas que “não foi nada pessoal, Bial, só uma questão de afinidade mesmo”. O roteirista Alex Garland e o produtor Andrew Macdonald assumiram o roupão do líder e seguiram em frente. Talvez a melhor coisa que poderia ter acontecido ao Dredd…

Dredd - Netflix3Dredd é um filme grande com cara de pequeno, como aqueles poucos bons filmes do Super Cine. Os cenários são crus, sujos, reais. A história é simples, bruta… e real! Dentro da realidade do filme, a trama, que se for escrita em uma sinopse fica até boba, acaba se encaixando perfeitamente ao personagem. Vamos lá: Dredd é um tira com a responsabilidade de ser, ao mesmo tempo, o policial, o juiz e o executor. No dia em que ele é incumbido de treinar em campo uma recruta com poderes paranormais, eles ficam presos em um mega quarteirão controlado por uma traficante maluca, que coloca a sua galera toda atrás dos dois, com o objetivo de matá-los a qualquer custo.

É isso. Dredd não salva o mundo. Dredd não salva o presidente dos EUA. Dredd nem sequer salva antes de sair do Word. O seu objetivo é apenas escapar vivo desse inferno, de preferência matando a bandidagem toda no processo. E como morre gente nesse filme! Para mim, esse é o mérito de Dredd. O filme é violento, bruto! Nada de aliviar o sangue pra tentar diminuir a censura. Em Dredd, somos brindados até com mortes violentíssimas em slow motion, pra ficar ainda mais forte e mais legal (em 3D, no cinema, foi muito bacana).

E o que falar desse elenco que mal reconhecemos, mas consideramos pacas? Apesar de não mostrar o seu rosto durante o filme todo, o protagonista é Karl Urban, o Dr. Leonard de Star Trek e o Eomer de O Senhor dos Anéis. A vilã? Ninguém menos do que Lena Headey, a Cersei Lannister em pessoa! A novata, parceira do Dredd? Ok, ela sim é um pouco menos conhecida, mas ainda assim manda muito bem! 🙂

????????????Por fim, Dredd é um excelente filme de ação, com aquela cara de videogame que todos gostam. O desenvolvimento da trama lembra realmente um bom jogo de ação da época do Super Nintendo, onde o herói deve subir os níveis de uma construção enfrentando vários capangas aleatórios até finalmente encontrar o chefão final. Até o nível de dificuldade vai aumentando com o passar do tempo, com adversários cada vez mais inteligentes e perigosos. E eu creio que é nesse clima que Dredd deve ser visto. Imagine que você é um pequeno garoto que passará o sábado jogando algumas fitas (saudades desse termo) de SNES que você pegou na locadora. Você mal conhece os jogos que tem em mãos, então vai curtir um pouco cada um deles, pra ver se algum vale a pena. E acaba jogando um deles a noite toda, parando só porque a sua mãe desliga a TV da tomada, falando que “esses videogame estraga as TV tudo”. É melhor respeitar. Tanto ela, quanto o Dredd.

Dredd na Netflix: http://bit.ly/NerdflixDredd

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Tarcísio Silva
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