Podcast NDF 61 – E Se? #2

Podcast NDF 61 – E Se? #2

E mais uma vez, SNK, Kbelo, Hao, Sorc e o host, Seráfa, Discutem as inúmeras possibilidades do mundo imaginário do “E Se?”.

Escute no episódio:

  • E se o Gai soubesse genjutsu?
  • E se Jesus voltasse mesmo?
  • E se o Tyler Durden tivesse aparecido após o trauma na cabeça do Bruce Wayne??
  • ‘E se o Time Urameshi tivesse que subir as 12 Casas?

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flw…..

Mincast NDF – Xapacast

Mincast NDF – Xapacast

Quando a espera para começar a gravação fica gigantesca e os caras estão pra la de Bagdá, acontece o primeiro xapacast…

Fique esperto, isso é só a previa do que está por vir…

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Minicast NDF #45 – 44 parte 2

Minicast NDF #45 – 44 parte 2

A segunda parte das notícias mais frias e irrelevantes do Mundo Nerd começa AGORA!!

O Host temporário Sorc (Passo Largo), traz para vocês, duas reportagens neste episódio quase que ‘’perdido’’ na bagunça do começo do ano. E para tais notícias serem discutidas teremos com ele: BIvo (Não vai ver Papai Noel), Garu (Que não nasceu elfo) e Soneka (Datena do Ipiranga) falando o máximo de merda possível.

Encontre também aqui:

*Briga de Casal
*Elfo Casamenteiro
*Garu que continua indo em tudo
*Big Bang Uuuoouuuuó
*E a mais bela soletração

Minicast NDF #43 – Comerdarios 2, Caminhos diferentes

Minicast NDF #43 – Comerdarios 2, Caminhos diferentes

E o fim do ano também chega no Fundão, e os nossos queridos Nerds estão revivendo um dos episódios mais Clássicos de toda a nossa história, o COMERDÁRIOS!!!!

E para adentrar e explorar o território mais assustador, icônico, inconveniente, depravado, imoral e obsceno do mundo, que são: ‘’os Comentários da Internet’’, temos o Host Serafa (Na moda Caralha), e com ele, uma patotinha Pesada, Rique (que Saudadeeee), Garu (o Minion) e Sorc (o Mxyzptlk).

Encontre aqui:

*O Verdadeiro Bucky x o Bucky Cuzão

*A Lua que não ganha do Massa

*O Caetano Veloso atravessando a rua

*O novo Single da Paula Fernandes

*E o Proibidão

 

Clique aqui e compre camisetas do Brunão!

 

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MAD MAX: ESTRADA EM FÚRIA por Master Blaster (Leo Veloso)

MAD MAX: ESTRADA EM FÚRIA por Master Blaster (Leo Veloso)

“Eu me lembro de um tempo de caos… nessa terra devastada… mas acima de tudo… eu me lembro do Guerreiro das Estradas… um cabra da peste chamado Max…”

 

11257634_1834593706766623_804094556_nVi o segundo filme da trilogia original quando era apenas um pivete sem pelo no saco. Lembro até hoje que ele e Blade Runner foram os dois primeiros filmes que me assustaram para valer. Não sei bem por quê, mas aquele mundo bizarro me incomodava e me deixava tenso. Eu sabia nada sobre aquecimento global; eploração econômica; crise estrutural do sistema; domínio de algumas regiões do mundo por senhores da guerra, os quais lutam com outros senhores da guerra por territórios e recursos – como acontece nas favelas brasileiras, nas periferias russas, na desolada Somália ou no Iraque destruído. Mas mesmo sem conhecer essas coisas, algo naquele filme e naquele cara com máscara de Jason – que hoje eu sei se chamar Lord Humungus – me perturbava para valer, pois parecia que poderia ser real.

Passaram-se muitos e muitos anos e hoje eu sou fã da trilogia original (não muito do terceiro filme na verdade), e estava ansioso para ver o que George Miller iria fazer com essa nova empreitada na Terra Devastada. E estava ansioso, entre outras razões, porque aquele deserto sem esperanças nunca pareceu tão próximo e tangível. E eu posso dizer que a loucura transmitida em tela nunca foi tão louca e bizarra. Na verdade, se não fosse pelo nome “Mad Max”, duvido que um estúdio de cinema se permitiria gastar 150 milhões de dólares numa coisa tão chocante.

Já houve outros filmes apocalípticos, mas nada tão xarope quanto esse. E eu tenho certeza que se não fosse pelo nome que carrega, o filme pouco sucesso faria entre os norte americanos (como pouco sucesso fizeram os dois primeiros filmes), povo o qual imagina ser o otimismo uma obrigação moral e que vê qualquer tipo de melancolia ou depressão como subversão, como coisa de perdedores ou socialistas que não sabem ver as maravilhas do livre empreendedorismo. Quem conhece como as coisas funcionam nos EUA, sabe que o puritanismo evangélico e a obrigação moral, própria de uma cultura corporativa de escritório, de ser pró-ativo e entusiasmado chegam às raias da loucura – e é interessante observar que o filme Uma Aventura Lego alopra com esse aspecto da cultura norte americana. E não nego que otimismo demais é algo que me incomoda muito, prefiro coisas mais melancólicas, como Constantine, o mais depressivo e auto-destrutivo personagem das HQs.

Contudo, George Miller é australiano e não se importa em jogar na nossa cara toneladas de pessimismo bizarro. Como ex-médico, ele atendeu e se impressionou com centenas de feridos de acidentes de trânsito, o que alguns chamam de a guerra invisível sem tréguas. Isso o fez criar o mundo dos motoristas do apocalipse, os quais lutam desesperada e sujamente por gotas de gasolina.

Em Mad Max, Estrada em Fúria, nós vemos isso transmitido à perfeição pelo diretor. Gotas de gasolina, gotas de sangue, gotas de água, úteros, leite materno… qualquer coisa que possa ser trocada e sirva para dar poder a quem a possui é disputada tapa a tapa, bala a bala. É o estado de natureza de Hobbes elevado à enésima potência. É o homem tiranossauro do homem. É o mundo pós-capitalista que Robert Kurz já via se desenhando em nosso horizonte futuro, quando em 20 anos, 2/3 da humanidade sofrerá com falta de água e no qual provavelmente os 20% de petróleo que restou debaixo da terra será totalmente gasto. Ou, melhor ainda, no horizonte futuro de quem ainda tem a sorte de fazer parte da classe média, pois já é o presente para a esmagadora maioria da humanidade. Nós, que vamos ver esse filme nos cinemas, não imaginamos que uns 70% da raça humana já vive o Mad Max, seja sendo dominados por senhores da guerra em lugares como o Afeganistão, seja precisando lutar pela própria sobrevivência por meio de subempregos, informalidade, violência, etc. Como dizem por aí, o rico pode planejar a vida, a classe média pode planejar o ano, o pobre pobre planejar o mês e o miserável pode planejar o dia. E uns 70% só se podem dar ao luxo de planejar o dia num mundo no qual a própria Organização Internacional do Trabalho já diz que 2/3 da humanidade economicamente ativa já é supérflua ao sistema econômico. A Terra Devastada não é tão ficcional quanto possa parecer…

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Senhores da guerra existem desde que francos, romanos e godos se agrupavam em torno de um general que pudesse lhes distribuir o butim da guerra durante a queda do Império Romano. Durante a Renascença eles ficaram conhecidos como “Condottiere” e hoje são conhecidos como traficantes ou até mesmo empresários (rs). O mundo de Mad Max sempre foi dominado por Warlords. Lord Humungus talvez seja o senhor da guerra mais famoso do cinema. Aqui em Estrada em Fúria temos Immortan Joe, cujo papel é interpretado pelo mesmo ator que fez o Toecutter do filme original. Joe não é apenas um senhor da guerra, é também um líder religioso – não que isso seja novidade. Ele domina a seita dos Meninos da Guerra. Baseada na ideia de Valhalla ou até nos homens bomba, eles se matam enquanto gritam “Eu vivo, eu morro. Eu vivo novamente!!” e balançam seus volantes para lá e para cá. E isso não é de se estranhar, pois, nesse mundo desértico cheio de maníacos, só com um automóvel para se poder sobreviver. Enquanto o mundo desmorona, todos ficam loucos e só a sobrevivência importa. Nem que seja numa outra vida. Quando o desespero bate, os pastores waldomiros se aproveitam…

No filme original, Max Rockatansky era um policial, o qual servia o que havia sobrado do Estado e da Lei. Mas, onde as estruturas estatais desmoroam ou não alcançam, os policiais entram no jogo do butim e da sobrevivência. E com Max não é diferente. Sequestrado no começo de Estrada em Fúria, ele parece não se importar com mais nada a não ser com manter sua própria existência. A autoconservação é o princípio que guia a sua vida, sendo, dessa forma, reduzido a menos do que um animal, pois animais também são capazes de sacrificar a própria existência em prol de outros.

A General Furiosa completa a tríade de protagonistas. Ela é uma personagem muito boa e bem interpretada. Girl Power. Mas, ao contrário das outras girl powers do cinema, não grita coisas como “no seu rabo, vadia” ou faz alguma piada depois de brigar ou sair de uma situação ameaçadora enquanto balança a cabeça como uma “sister”. Não. Ela só faz suas coisas como uma pessoa vivendo no apocalípse. Não fala muito, como quase todos os personagens desse filme. Afinal, num mundo reduzido ao pó, as palavras se tornam poucas e grosseiras. Furiosa não precisa fazer pose de personagem clichê de anime para mostrar que é uma exímia guerreira e sobrevivente. Ela consegue transmitir tudo o que é necessário ser transmitido só com o olhar.

Immortan Joe, General Furiosa, Papagallo, Esposa Esplêndida, Rictus Erectus (“interpretado” pelo gigantesco Nathan Jones), Lord Humungus, Toecutter, N:ightRider, Master Blaster, Bubba Zanetti, … a criatividade de Miller para nomes de personagens é gigantesca.

O roteiro do filme é simples, porém profundo. Cada coisa é feita para que você se sinta imerso no bizarro, que estrutura o mundo apresentado na tela. Nada é fora do lugar ou sem propósito. Roteiro simples não é sinônimo de roteiro raso ou que precise apelar para coisas como riso fácil ou momentos “CARALHO!!!”

É claro que Mad Max tem seus momentos CARALHO!!!, mas não são necessários para segurar o espectador. E esses momentos são apresentados durante as perseguições de automóveis. Como no segundo filme, elas são maravilhosas. Bem filmadas, bem feitas. De olhar para a série de filmes “Rápidos e Putos” e dizer “que merda…alguém mata essse careca, por favor…”

Outro ponto a se destacar no filme é a questão da imensidão do nada que cerca os personagens. Quando uma das noivas de Joe grita “We are not things!!”, é possível entendê-la dizendo “We are nothing!!”. Quanto maior descobrimos ser o universo, mais insignificantes nos sentimos em relação ao mundo. Foi o que aconteceu quando o ser humano descobriu que a Terra, sua morada, não era o centro de coisa alguma. Eu tenho uma hipótese acerca da nossa fixação em relação ao Facebook. O mundo das redes sociais é pequeno e fechado para nós. Ele praticamente se resume a nossos contatos e suas atualizações. Sendo pequena essa realidade, ela permite que nos esqueçamos do quanto se é insignificante perante a imensidão do mundo. Em Mad Max, os personagens não podem se esquivar de encarar algo gigantesco e, o pior de tudo, homogêneo, sempre igual, o deserto. Tentam se fechar sem seus grupos e seitas de aves de rapina, mas a realidade da terra devastada sempre estará lá. Sempre igual, sempre desesperadora.

Se você é fã de Mad Max, pode ver que vai gostar. Não é um simples remake. É o que Miller teria feito na década de 80 se tivesse a tecnologia e o orçamento disponíveis hoje em dia. É o tipo de filme que faz o espectador nerd pensar “esse cara é contratado da Warner. O que falta para ele dirigir um filme da DC ou Vertigo??”

Numa escala de 1 a 10, esse filme vale 11.

E não se esqueçam que a Vertigo está lançando Hqs as quais contam o que aconteceu antes do filme.