Fausto Fanti

Fausto Fanti

Uma pequena homenagem dos nerds do fundão…

Decidimos publicar pequenos textos e nossos videos favoritos.

O fim do maior grupo de humor dos últimos 20 anos – por Michel Chamon

Minha semana se encerrou triste com a notícia da morte do grande humorista Fausto Fanti (1979-2014), líder fundador do grupo Hermes e Renato. Acompanho desde meados de 1999, quando existia um Voz MTV onde pessoas anônimas mandavam vídeos que eram exibidos em intervalos da emissora. Na época, uns amigos meus mandaram um vídeo e fiquei acompanhando diariamente para ver se eles apareciam e me deparei com a primeira aparição na TV do grupo e que depois se transformou na primeira esquete de Hermes e Renato que ainda eram apenas pílulas que surgiam nos intervalos da MTV. Minha mãe e eu assistimos juntos o belíssimo episódio “Bingo da amizade” , onde eu gargalhava com o estilo pornochanchada que sempre apreciei pelo linguajar chulo e a estética setentista, vide clássicos como: “ Um pistoleiro chamado Papacu (1986)”; “Aberrações de Uma Prostituta (1981)”; “As Aventuras Amorosas de um Padeiro (1975) “. Desde o primeiro episódio percebi  que era o meu tipo de humor e desde então não parei de acompanhar tudo sobre esse grupo.
Podemos destacar as novelas “Sinha boça” e “O proxeneta” (termo que utilizo até hoje), as marchinhas de carnaval do Charles Bronson, Stallone, o samba enredo do unidos do caralho a quatro, O desafio com o diabo e o padre quemedo, os episódios do Hermes e Renato “tua mulher é uma puta”; “Puta Jandira”, “Teu filho é viado”. O comercial do “Currador do futuro”, a história do mataram meu passarinho com outro gênio de nome Gil brother que saiu do grupo mas que também fez parte dessa trupe genial, “a fúria do cotoco”, “pedreiros da pqp”, “escola para baitolas”, “vou encher seu cu de carne”, e por ai vai…
 Isso é tosco, mal feito e o humor consiste na simplicidade e no linguajar chulo que esses mitos construíram ao longo de mais ou menos 14 anos de história, meu humor, minhas referências e grande parte da minha esperança de vê-los novamente se foram com o Fausto. Não surgirá um outro grupo igual.

Leo veloso

Eu nunca fui muito fã da MTV. Mesmo quando a emissora era considerada boa. Nunca me chamou a atenção com exceção de Beavis and ButtHead e Liquid Television. Quando esses dois programas foram tirados do ar, desisti do canal.
Até que um dia fui morar no interior e a única emissora que pegava direito, por incrível que pareça, era a danada. E eis que exatamente nessa época eu vejo um programa fundo de quintal que era diferente do humor zoado geralmente feito na Tv do BR. Foram anos acompanhando essa porra e me divertindo, apesar do programa ter se profissionalizado sendo que eu preferia quando tinha jeito de coisa caseira. Mas nunca parei de curtir para caralho. Depois de um tempo entrou o Gil Brother, até que ele tretou com os caras mais old e saiu (e essa treta realmente me deixou bolado, estilo a do Bolanos com o Villagran). Depois a emissora do bispo contratou o grupo e fodeu com tudo, pois os colocou na coleira. Quando voltam para a MTV, o Bruno Sutter larga a parada e vai seguir carreira solo. E nesse retorno o programa voltou com aquele estilo caseirão Chaves piorado que eu curtia tanto antes de ficar mais pop. Os novos quadros quase não têm visualizações no SeuTubo, mas foda-se. Eles estão ótimos, principalmente o protagonizado pelo Fausto Fanti: Adilson Polloski, Grao Mestre de Setimo Da de Karate Paranaense. O comedor de abóboras de Vermelhândia. Outro muito foda é Brasil Mulambo, no qual o Fausto faz um repórter ao estilo Roberto Cabrini. O Fausto vai deixar saudades, mas os vídeos estão aí para continuarmos a dar risada. 

“Gênio” – Por Bruno Sorc

Fausto Fanti não fora só um ´´gênio“ no que ele sempre propôs nos passar, o cara era uma inspiração para mim, e quase que eu podia lhe chama-lo de ´´amigo“. Não por ser um cara presente na vida dele, de papear em um bar todo fim de semana, ou encontrá-lo todas manhãs no trampo. Isso seria demais, mas infelizmente só o encontrei uma vez. Eu poderia encher o peito e chama-lo de ´´amigo“, por tudo que acompanhei dele, tanto no seu trabalho como humorista quanto como músico. Todos que pegaram o ápice da MTV no final dos anos 90 e começo de 2000, sentiram o seu talento e cresceram rindo com esse cara e seus textos.
Tenho uma grande parte da minha vida, rindo com suas atuações em quadros que nenhum outro cara fazia ou ´´poderia“ fazer igual. Minha ansiedade era enorme pra CARALHO toda terça, para chegar logo a noite, pra poder assim, assistir Hermes e Renato e chegar no outro dia na escola, falando um monte de merda EAUEAHEAHEEAE
Queria eu ter escrito algo pra você atuar, pqp seria mais do que um sonho *¬*
De fato, Fausto era um cara ímpar, e tive um IMENSO PRAZER de conhece-lo bem por acaso, ao RECONHECE-LO enquanto esperava na fila do BK no West Plaza.
Nunca vou esquecer suas palavras:
SORC – Licença, mas cara, ou tu é o Hermes, ou é o Renato. *fico esperançoso aguardando a sua resposta*
FANTI – *ele fecha os olhinhos e diz* – Posso ser os dois. *me abraça e começamos trocar ideia*
Conversamos de tudo, por longos 10 minutos, que guardo comigo pra todo o sempre. Falamos sobre o fim da banda (Massacration), da saída deles da MTV e do Legendários, e ele me contou parte do projeto que trabalhavam na FOX.
Quando o abordei, ele estava acompanhado de sua pequena filha, e isso me pesa o peito sempre que lembro da cena e penso em sua morte.

Frustração – por Giovanni Seráfa

Poucas vezes na minha vida eu fiquei realmente triste pela morte de alguém. Pela morte de um artista então, eu diria que quase nunca. Mas hoje não foi um desses dias.
A noticia da morte de Fausto Fanti realmente me deixou triste, não por todo o sentimento nostálgico que me vem a cabeça quando lembro de seu trabalho, mas sim por ser mais um dos caras que eu nunca vou poder conhecer.
Uma frustração gigante pensar que eu nunca vou ter a oportunidade de dizer a ele em pessoa, que o trabalho que ele iniciou, ainda criança com seus amigos, foi o ápice do humor na minha década, e que no meio de um marasmo criativo, Fausto e seu grupo percorreram todas as mídias conhecidas do áudio visual. 
Por todo seu legado eu não digo que ele seja um gênio, mas o universo que ele ajudou a criar juntamente com o restante do grupo Hermes e Renato, é genial.

E não se esqueça da historia e de todo seu legado, veja o documentário dos caras.
Quem gostou gostou, quem não gostou vai pro caralho!!!

“Eu sempre fui uma contradição, muito tímido e ao mesmo tempo muito agitado”

Fausto Fanti
Quadrinhos do Fundão – Lucifer, Diabo à Porta

Quadrinhos do Fundão – Lucifer, Diabo à Porta

Eu sempre apreciei boas histórias e quando era um jovem me recordo que meu primo mais velho e ídolo comprava quinzenalmente uma revista “estranha” de nome Sandman, onde os traços eram diferentes e o linguajar complexo para um menino de minha idade que preferia histórias da Marvel e DC comuns. Eu via o selo “Vertigo” e tentava entender o que era tão interessante que fazia aquele rapaz barbado correr como uma criança a banca mais próxima para adquirir a nova edição.

Alguns anos mais tarde, fumando escondido na garagem com ele, tive o relato da história mais impressionante e impactante que já havia tido contato, essa saga era Sandman, Deus do sonhar e o protagonista dos Perpétuos na série de Neil Gaiman aclamada por todos.

Ele me contou anos de HQ em 1 hora de conversa e eu não conseguia parar de ouvir e imaginar cada quadro, até ele me emprestar sua coleção completa que li compulsivamente em uma semana.

Lembro que a saga que mais me cativou foi “Estação das Brumas” e nela o relato de Lúcifer abdicando de seu reino.Hoje tenho uma tattoo com a chave do Inferno, entregue por Lúcifer para Morpheus, na minha panturrilha direita.

Alguns anos e com a importância do personagem, surge o arco “Lúcifer” escrito magistralmente por Mike Carey com a supervisão do próprio Gaiman. Na história após abandonar o Inferno, ele vive em Los Angeles como um aposentado repensando sua existência, com um visual de David Bowie, ele toca piano e cuida de um club gótico estiloso.

Após receber uma visita indesejada, Estrela da Manhã adentra um labirinto de perigos cuja saída é a maior de todas as oportunidades. Para chegar ao outro lado, um sacrifício será necessário. A única questão que resta é quem será sacrificado.

Foi em Sandman, que Lucifer disse o seguinte sobre a humanidade: “eles me culpam por tudo(…). Mas eles são responsáveis pelos próprios atos, e se odeiam por isso.

Este volume reúne as edições 1 a 3 da minissérie “The Sandman Presents: Lúcifer” e as edições 1 a 4 da série Lúcifer, Jennifer Lee, Scott Hampton, Mike Carey foram responsáveis por essa obra prima.

Quem Escreve?

Michel Chamon, é escritor, cantor, ator, mulherengo, beberrão e um pouquinho sacana.

Encontre-o no Twitter e no Facebook

Quadrinhos do Fundão – Santo dos Assassinos

Quadrinhos do Fundão – Santo dos Assassinos

Era uma tarde de sábado, como essa em que vos escrevo, que me recordo nostalgicamente de meu avô e nossas idas à banca de jornal que existia em uma avenida famosa da zona sul. Uma banca grande, típica dos anos 90, onde existia um mundo de cousas para os adultos e era um paraíso para um jovem como eu que adorava HQ.

Meu avô me dava carta branca para escolher o que eu quisesse, menos revistas porn, obviamente, foi quando em meio a histórias de heróis da Marvel entre outras da DC (sempre apreciei mais ) foi que me deparei com uma capa sombria e muito bem desenhada onde mostrava um velho pistoleiro do oeste selvagem com uma cara de mau e alguns homens em escala menor em seus cavalos.
O ano era 1996 e o título da revista era ” Santo dos Assassinos “, era perfeito, pois juntava meu apreço por sangue, bang-bang e cousas proibidas!
No velho e sujo Oeste do século 19, surge uma lenda para aterrorizar toda a América. Uma história de vingança onde a violência, o mal e os palavrões imperam.Um caçador de recompensas aposentado do Velho Oeste, tenta manter uma vida normal e pacífica após descobrir o amor e as nuances de uma vida em família, quando sua esposa e sua filha adoecem, ele precisa percorrer uma distância enorme para buscar remédios, o que ele não imaginava eram os problemas que enfrentaria para retornar a tempo com a medicação.

Enviado ao submundo, sua alma gelada pelo ódio, consome as chamas do próprio Inferno, fazendo Lúcifer e o Anjo da Morte que jogavam cartas, pararem para ver quem era a alma que de tanto rancor conseguia tal proeza. É então que surge a oferta (após cena antológica de chibatadas sangrentas que o Diabo lhe impinge para tentar arrancar o seu “ódio do couro”) de uma nova oportunidade de fazer vingança. Ele ressurge na Terra como o “Santo dos Assassinos”.
Esta é uma história paralela da série Preacher, lançada em 4 edições entre Agosto e Novembro de 1996, trazida para o Brasil pela Editora Abril. A série genialmente escrita é uma co-criação entre o roteirista Garth Ennis (Hitman, Justiceiro) e do desenhista Steve Dillon (Justiceiro).

Quem Escreve?

Michel Chamon, é escritor, cantor, ator, mulherengo, beberrão e um pouquinho sacana.

Encontre-o no Twitter e no Facebook